A Turquia surpreendeu todos os adversários e conquistou a Liga das Nações de Voleibol Feminino, cuja fase final se realizou em Macau. A formação turca superou na final o Brasil por 3-1. A jogar em casa, a selecção da China terminou o torneio no quarto posto, depois de ter perdido com a Itália no derradeiro dia
VÍTOR REBELO
A fase final da Liga das Nações de Voleibol Feminino, que pela primeira vez decorreu em Macau, correspondeu às expectativas, quase sempre com bastante assistência na Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental (Macau Dome), em especial nos jogos da selecção que actuou em casa, a China.
Logo no dia da abertura, o recinto vibrou com o triunfo das anfitriãs diante dos Estados Unidos, principais candidatos ao título e que haviam fechado a fase de qualificação na primeira posição, em igualdade pontual com a Itália. As transalpinas defendiam o primeiro lugar alcançado em 2025.
A formação chinesa surgiu na RAEM sem estatuto de favorita, após ter terminado as “poules” de apuramento no nono posto, fora, portanto, dos oito primeiros lugares que davam acesso à fase final. No entanto, a China sabia que, independentemente dos resultados, estaria sempre qualificada para a fase derradeira, por ser a anfitriã da prova, tal como aconteceu em 2019 em Nanquim.
Tentando superar a modesta classificação da qualificação e apostando no factor casa, o conjunto da República Popular chegou a Macau com vontade de fazer história e de corresponder àquilo que a esperava, ou seja, um forte apoio por parte do público.
Com um grande ambiente no Macau Dome na noite de quinta-feira, a selecção chinesa, orientada por Zhao Yong, levou ao rubro os espectadores que quase encheram o Macau Dome, e surpreendeu o seu adversário logo no desafio de estreia, a contar para os quartos-de-final, vencendo na negra, depois de um encontro emocionante.
A formação da China parecia relançada para fazer história na competição, que nunca ganhou, mas, no sábado, nas meias-finais, não conseguiu superar a poderosa Turquia, apesar de mais uma noite de forte apoio do público, na sua esmagadora maioria chineses, não obstante a incerteza da meteorologia, por causa da proximidade do tufão “Noul”.
As turcas praticamente nunca estiveram em grande dificuldade e apenas no início dos “sets” permitiram algum equilíbrio às adversárias. Os pontos obtidos por Melissa Vargas, nascida em Cuba e naturalizada turca, considerada uma das melhores rematadoras da actualidade, fizeram a diferença e foram dilatando o resultado, que no final se cifrou em 3-0, nos parciais de 25-21, 25-15 e 25-20.
Enquanto isto, o Brasil confirmava as suas credenciais na modalidade ao ultrapassar nos dois primeiros encontros o Japão (3-1) e a Itália (3-2), respectivamente, garantindo assim a presença na discussão do título.
Ontem, no último dia do torneio, China e Itália apresentaram-se para o “duelo” de consolação, ou seja, o desafio de apuramento para os terceiro e quarto lugares. Mais uma tarde de boa assistência no Dome, mas, apesar do apoio do público local, a selecção da República Popular acabou em quarto, após perder com as transalpinas, vencedoras da Liga em 2025, por 3-1, nos parciais de 25/16, 23/25, 25/22 e 23/13.
Seguiu-se o desafio da final que, tal como se esperava, resultou num excelente espectáculo, com muito equilíbrio. Venceu Turquia, no confronto com o Brasil, por 3-1, nos parciais de 23/25, 25/23, 26/24 e 25/21.
Desde que foi criada a Liga das Nações, em 2018, que substituiu o Grande Prémio Mundial de Voleibol Feminino (GPMVF), esta foi a primeira vez que Macau acolheu a fase final. Antes, no GPMVF, que se disputou entre 1993 e 2017, o território havia sido palco dos jogos da discussão do título em 2001 e 2011 (os EUA sagraram-se campeões nas duas edições), para além de, por diversas vezes, ter recebido “poules” da competição.
Este ano, para além da vertente competitiva, a organização da Liga das Nações, a cargo do Instituto do Desporto (ID) e do Grupo Galaxy, com o apoio da Federação Internacional de Voleibol, promoveu actividades paralelas diversificadas no local da prova (Macau Dome) e também em bairros comunitários.
No recinto dos jogos, foram instalados dispositivos temáticos para fotografias, bem como tendinhas de venda de lembranças, camisolas e produtos culturais e criativos, expondo e vendendo diversos artigos de edição limitada, “que atraíram muitos residentes, turistas e adeptos de voleibol para comprarem e tirarem fotografias”, segundo um comunicado do ID.
Por outro lado, a Galaxy organizou uma actividade intitulada “Volleyball Experience” na sua Praça da Ala Este, que esteve aberta ao público gratuitamente durante três dias, contando com uma zona de desafios interactivos para testar os reflexos e o limite de salto dos participantes.
Houve igualmente uma sessão de autógrafos das jogadoras, uma área exclusiva para crianças, que ofereceu experiências de voleibol aéreo, um mini-campo de voleibol e faixas de treino especiais. Além disso, estiveram também expostos no local os “Legacy Courts” oficiais da Liga das Nações de Voleibol Feminino e as camisolas oficiais das equipas que se deslocaram a Macau para disputar a fase final.
Ademais, a organização introduziu elementos relacionados com o torneio nas actividades temáticas no âmbito do evento “Arte à solta – Ondas culturais ao fim-de-semana”.








