Police officers enter the compound of the presidential residence of impeached South Korea President Yoon Suk Yeol in Seoul, as seen from a hill, on January 15, 2025. South Korea's Constitutional Court opened the impeachment trial of President Yoon Suk Yeol on January 14 over his failed martial law bid, but quickly adjourned the first hearing after the suspended leader didn't show up. (Photo by ANTHONY WALLACE / AFP)
Police officers enter the compound of the presidential residence of impeached South Korea President Yoon Suk Yeol in Seoul, as seen from a hill, on January 15, 2025. South Korea's Constitutional Court opened the impeachment trial of President Yoon Suk Yeol on January 14 over his failed martial law bid, but quickly adjourned the first hearing after the suspended leader didn't show up. (Photo by ANTHONY WALLACE / AFP)

O presidente deposto da Coreia do Sul detido ontem para prestar declarações sobre a imposição de lei marcial em Dezembro, optou por manter-se em silêncio, afirmaram os investigadores. Yoon Suk-yeol está “a exercer o seu direito de permanecer em silêncio”, disse à imprensa um responsável do Gabinete de Investigação da Corrupção (CIO).

A equipa que está a investigar Yoon executou o mandado de detenção contra o presidente às 10:33 (09:33 em Macau), segundo o CIO.

Após uma primeira tentativa falhada de deter Yoon, no início de Janeiro, agentes do CIO e da polícia chegaram ontem em grande número, antes de amanhecer, à residência presidencial, num bairro nobre de Seul, onde o antigo procurador permanecia sem sair há semanas. Bloqueados pelo pessoal de segurança, alguns agentes escalaram muros do perímetro e caminharam por trilhos nos fundos para chegar ao prédio principal, situado no alto de uma colina.

Numa mensagem de vídeo gravada antes de as forças da ordem invadirem a residência presidencial, Yoon disse que concordou submeter-se ao interrogatório “para evitar qualquer infeliz derramamento de sangue”. “Decidi responder ao Gabinete de Investigação de Corrupção”, anunciou, reiterando que não reconhece a legalidade da investigação.

O presidente deposto, que está a ser investigado por rebelião, na sequência da declaração de lei marcial em 3 de Dezembro, é o primeiro presidente sul-coreano em exercício a ser detido. Suspenso pelos deputados e objecto de investigação por rebelião, o líder conservador tem-se recusado desde o início a prestar depoimento, o que levou os procuradores a emitirem um mandado de detenção.

Yoon pode permanecer sob custódia policial durante 48 horas, ao abrigo do actual mandado. Os investigadores terão de solicitar um novo mandado para prolongar a detenção.

“A detenção de Yoon Suk-yeol é o primeiro passo para o regresso à ordem constitucional, à democracia e ao Estado de direito”, declarou o líder dos deputados do Partido Democrático na Assembleia Nacional (parlamento), Park Chan-dae, numa reunião da formação política da oposição.

O presidente surpreendeu o país em 3 de Dezembro ao declarar lei marcial, uma medida que fez lembrar os dias negros da ditadura militar sul-coreana e que justificou com a intenção de proteger o país das “forças comunistas norte-coreanas” e de “eliminar elementos hostis ao Estado”. No entanto, a Assembleia Nacional frustrou os planos presidenciais ao votar a favor do levantamento do estado de emergência. Pressionado pelos deputados e por milhares de manifestantes pró-democracia, Yoon foi obrigado a revogar a decisão.

Em 3 de Janeiro, os serviços de segurança presidencial, responsáveis pela protecção do chefe de Estado, bloquearam uma primeira tentativa do COI de executar o mandado de detenção. Na segunda incursão, ontem, as autoridades avisaram que deteriam qualquer pessoa que impedisse a detenção.

 

JTM com Lusa