epa12976443 Russian President Vladimir Putin (L) and Chinese President Xi Jinping (R) deliver a joint press statement at the Great Hall of the People in Beijing, China, 20 May 2026.  EPA/Maxim Shemetov / POOL
epa12976443 Russian President Vladimir Putin (L) and Chinese President Xi Jinping (R) deliver a joint press statement at the Great Hall of the People in Beijing, China, 20 May 2026. EPA/Maxim Shemetov / POOL

Os líderes da China e da Rússia reafirmaram ontem a força da sua relação bilateral perante as turbulências mundiais, menos de uma semana depois da visita a Pequim do Presidente dos EUA. “Conseguimos aprofundar sem cessar a confiança política mútua e a coordenação estratégica com uma perseverança inabalável, que resistiu a mil provações”, afirmou Xi, segundo a agência Xinhua.

As relações entre a China e a Rússia estão no “nível mais alto da sua história”, acentuou, destacando a energia e a conectividade como a “pedra angular” da cooperação bilateral. Numa conferência de imprensa após o encontro em Pequim, Xi afirmou que os dois países “mantêm uma comunicação estratégica estreita a todos os níveis” e “apoiam-se firmemente” em questões que afectam os seus “interesses fundamentais” e “principais preocupações”.

Na mesma linha, Putin considerou que as relações entre Pequim e Moscovo atingiram um “nível sem precedentes”, sobretudo no âmbito económico, apesar dos “factores externos desfavoráveis”.

Xi e Putin reuniram-se num contexto de múltiplas crises que afectam os seus países, como as hostilidades no Golfo Pérsico, a guerra na Ucrânia e as tensões no comércio e no fornecimento de combustíveis. Pequim e Moscovo enfatizaram a necessidade de “retomar o diálogo e as negociações o mais rápido possível” no Médio Oriente, indica uma declaração conjunta, que também classifica os bombardeamentos dos EUA e de Israel contra o Irão como uma violação do direito internacional.

O conflito no Golfo foi um dos temas mais importantes na agenda, bem como a recente visita de Trump à China – que não resultou em grandes anúncios – e a guerra na Ucrânia. A declaração conjunta regista a visão “positiva” que a Rússia tem da “posição objectiva e imparcial” da China relativamente à guerra na Ucrânia.

Ainda assim, para Putin, o conflito no Médio Oriente representa uma oportunidade para o seu país, o terceiro maior produtor mundial de petróleo e o segundo de gás em 2023. “Num contexto de crise no Médio Oriente, a Rússia mantém a sua posição de fornecedora fiável de recursos”, declarou Putin, que tenta avançar com o projecto de gasoduto “Força da Sibéria 2”, uma infra-estrutura fundamental para Moscovo, que ofereceria uma saída para os seus hidrocarbonetos, que foram abandonados pela Europa após a invasão da Ucrânia. Nesse domínio, Moscovo e Pequim conseguiram “avanços”, mas não alcançaram um acordo, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, citado pelas agências russas.

Os dois líderes testemunharam a assinatura de cerca de 20 acordos e memorandos sobre cooperação estratégica, construção de uma linha ferroviária e desenvolvimento urbano. Também concordaram em prorrogar o Tratado de Boa Vizinhança firmado há 25 anos e um regime de isenção recíproca de vistos.

Putin convidou Xi a visitar a Rússia em 2027 e confirmou que participará na cimeira da APEC em Novembro, na China.

 

JTM com agências internacionais