O Presidente dos EUA não deveria visitar Kenosha, a cidade de Wisconsin onde eclodiram protestos na semana passada depois de um homem negro ter sido baleado nas costas por um polícia branco, alertou o vice-governador democrata do Estado. Donald Trump, que assumiu uma posição dura contra os protestos raciais no país, visitará hoje Kenosha, segundo informou a Casa Branca na noite de sábado, gerando preocupação entre os democratas de que essa iniciativa agrave as tensões.
Os republicanos “centralizaram toda a convenção em torno da criação de mais animosidade e mais divisão” sobre o que está a acontecer em Kenosha, disse à CNN o vice-governador de Wisconsin, Mandela Barnes. “Considerando as suas declarações anteriores, não sei como pretende vir aqui e ser útil. E nós absolutamente não precisamos disso agora”, acrescentou.
Críticos acusam Trump, que enfrentará o ex-vice-presidente Joe Biden nas eleições presidenciais a 3 de Novembro, de tentar exacerbar a violência com uma retórica incendiária. Os republicanos negam, dizendo que Trump quer restaurar a lei e a ordem.
A deputada norte-americana Karen Bass, que preside ao “Congressional Black Caucus”, também afirmou que a visita de Trump a Kenosha só piorará as coisas. “A sua visita só tem um propósito, que é trazer mais agitação”, disse a democrata ao programa “Estado da União” da CNN. “Faltam 66 dias para a eleição e acho uma tragédia termos um presidente que está a fazer tudo o que pode para atiçar as chamas”, lamentou.
Os republicanos sugeriram que as autoridades estaduais demoraram a restaurar a ordem e frisaram que o governo federal estava pronto a fornecer reforços, incluindo em Portland, no Oregon, onde uma pessoa foi morta a tiro na noite de sábado enquanto manifestantes de grupos rivais se enfrentaram na cidade do noroeste.
No domingo, Trump e o “mayor” de Portland, Ted Wheeler, trocaram duras acusações. “A América precisa que seja travado”, disse Wheeler, referindo-se directamente ao Presidente, e acusando-o de racismo e de encorajar a violência.
Trump classificou o “mayor” como “idiota” e “louco radical de esquerda”. Em resposta, Wheeler voltou a criticar a atitude do republicano: “É agressivo, não é colaborativo”.



