A UNESCO abriu na Coreia do Sul a 48ª reunião do Comité do Património Mundial, que avalia 30 candidaturas de diferentes países, entre as quais de Espanha e do Brasil, numa lista que inclui ainda fortalezas portuguesas. A Palestina também apresenta uma candidatura, a qual será tratada com carácter de urgência face à ameaça de ocupação israelita.
“O Comité do Património Mundial dará vida à convenção durante os próximos 10 dias, considerando novas nomeações, examinando o estado de conservação e abordando desafios crescentes como as alterações climáticas, a urbanização e os conflitos”, afirmou o director-geral da UNESCO, Khaled El-Enany, no discurso de abertura.
Entre as propostas para a eleição como Património Mundial no evento, que decorre na cidade sul-coreana de Busan, figura o sítio cultural da Ribeira Sacra, em Espanha.
Por sua vez, o Brasil tem a aspiração de inscrever conjuntamente o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, dois símbolos do auge da borracha no final do século XIX que combinaram arquitectura e materiais europeus com a identidade cultural amazónica.
A candidatura palestiniana de Sebastia, um sítio arqueológico cujos primórdios remontam aos séculos VIII e IX a.C., será tramitada com carácter de urgência, no meio de uma ordem israelita de expropriação, apesar de se encontrar no território palestiniano da Cisjordânia.
O monte Olimpo grego e a sua envolvência também participam na categoria mista de sítio cultural e natural, num evento que reúne em Busan mais de 3.000 participantes de 150 países.
O Comité da UNESCO examinará ainda outras propostas de sítios culturais, como as de França, que apresenta as praias do desembarque da Normandia e as fortalezas medievais de Carcassonne (séculos XIII-XIV). Entretanto, a Finlândia propõe 13 obras de Alvar Aalto.
Também figuram na lista de candidaturas teatros comunitários italianos, fortalezas portuguesas e as antigas capitais japonesas de Asuka e Fujiwara.
Ontem, a UNESCO adoptou uma declaração promovida pela Coreia do Sul, que “sublinha a importância da colaboração para abordar colectivamente os múltiplos desafios enfrentados pelo Património Mundial, tais como os conflitos armados, as alterações climáticas e as pressões do desenvolvimento”, informou o Serviço de Património da Coreia do Sul (KHS) em comunicado citado pela agência EFE.
‘A Declaração de Busan’ propõe acrescentar a “colaboração” aos cinco objectivos estratégicos da Convenção do Património Mundial: credibilidade, conservação, reforço de capacidades, comunicação e comunidades. Também incorpora pela primeira vez no debate público do sector a transformação digital e as suas responsabilidades, além de promover a “responsabilidade partilhada” na gestão do Património Mundial.



