A União Europeia anunciou ontem um pacote de ajuda humanitária de 10,5 milhões de euros (cerca de 94 milhões de patacas ao câmbio actual) para Myanmar, onde se assiste a uma guerra civil desde o golpe de Estado em 2021, que já provocou milhares de mortes.

Em comunicado, a Comissão Europeia refere que, com este montante, os parceiros humanitários em Myanmar poderão “prestar assistência vital às pessoas afectadas por conflitos e catástrofes, incluindo as recentes cheias registadas em vários pontos do país”.

“A ajuda inclui cuidados de saúde de emergência, alimentos, protecção, abrigos, bem como equipamentos de abastecimento de água e saneamento”, indica o executivo comunitário.

A Comissão refere que, com os 10,5 milhões, o total de ajuda humanitária prestada pela União Europeia (UE) a Myanmar desde o golpe de Estado de Fevereiro de 2021 já ascende a 49,1 milhões de euros (cerca de 440 milhões de patacas).

Desde esse golpe de Estado, a Comissão Europeia salienta que já morreram “mais de 100 mil pessoas” em Myanmar, o que torna o conflito no país uma “das crises humanitárias mais graves no mundo”.

“A presença de minas constitui um problema grave, uma vez que Myanmar lidera a lista mundial de vítimas de minas e de engenhos explosivos não detonados”, indica.

Citada no comunicado, a comissária europeia para a Gestão das Crises, Hadja Lahbib, salienta que a crise humanitária em Myanmar mudou muito “nos últimos cinco anos”, acrescentando que se tornou numa das “maiores emergências humanitárias do mundo, com 16,2 milhões de pessoas a necessitar de assistência”.

“Os civis vivem diariamente com medo pelas suas vidas, num contexto de colapso económico, do sistema de saúde e de uma das piores crises de fome do mundo. Não podemos permitir que esta crise desapareça do foco internacional”, afirma a comissária.

O golpe militar de Fevereiro de 2021 em Myanmar desencadeou uma ampla vaga de contestação que evoluiu para uma guerra civil.

De acordo com a Associação de Assistência a Presos Políticos, organização que acompanha a repressão em Myanmar, 31.596 pessoas foram detidas desde o golpe de Estado, das quais mais de 14.000 permaneciam presas até terça-feira.

 

JTM com Lusa