Poucas horas antes do fim do cessar-fogo com o Irão, e apesar de ter garantido que não o iria prolongar, o Presidente norte-americano mudou de ideias e estendeu as tréguas por tempo indeterminado para dar mais tempo às negociações de paz.

Numa publicação na sua rede social “Truth”, Donald Trump disse que decidiu prolongar o cessar-fogo a pedido do Paquistão, que actua como mediador no conflito, até que o Governo iraniano, que considera “profundamente dividido” e “em colapso financeiro”, apresente “uma proposta e as negociações estejam concluídas, seja qual for o resultado”. No entanto, advertiu que o bloqueio dos portos iranianos vai continuar.

O Vice-Presidente dos EUA, JD Vance, tinha planeado viajar para Islamabad na terça-feira para uma segunda ronda de negociações com as autoridades iranianas, mas cancelou a viagem porque Teerão não se comprometeu a participar nas conversações.

Em contrapartida, Trump convocou uma reunião de emergência na Casa Branca com a sua equipa de Segurança Nacional, que incluía o próprio Vance, o Secretário de Estado Marco Rubio e o Secretário da Defesa Pete Hegseth. Além disso, os enviados especiais da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner – genro de Trump -, que também planeavam viajar para Islamabad, tiveram de alterar os seus planos e voar de Miami para Washington para participar no encontro.

O anúncio de um cessar-fogo ‘sine die’ surgir apesar de Trump ter declarado em várias ocasiões que não pretendia prorrogar a trégua, algo que reiterou na terça-feira em entrevista à CNBC. “Não quero fazer isso. Não temos tanto tempo”, declarou, acrescentando que “o Irão pode colocar-se numa posição muito forte se chegar a um acordo”. Por outro lado, avisou ainda que, caso não haja acordo, retomará os bombardeamentos contra a República Islâmica.

O Irão insistiu esta quarta-feira que regressará à mesa das negociações com os EUA quando estiverem reunidas as “condições necessárias e razoáveis” e garantiu que está preparado para se defender em caso de novos ataques. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ismail Bagaei, salientou que, em qualquer caso, as negociações procurarão “realizar os interesses nacionais e consolidar as conquistas do povo iraniano, frustrando os objectivos maliciosos dos seus inimigos”.

Em relação ao prolongamento do cessar-fogo anunciado por Trump, Bagaei afirmou que o Irão “não iniciou esta guerra” e que agiu em “legítima autodefesa contra a agressão militar dos EUA e do regime sionista (Israel)”.

Na outra frente da guerra, estão previstas para hoje, em Washington, novas negociações directas entre Israel e Líbano, segundo a diplomacia americana. Tal como as primeiras, ocorridas em 14 de Abril, serão realizadas a nível de embaixadores.

Irão apreendeu dois navios que tentavam atravessar Ormuz

O Irão informou ontem que as suas forças navais interceptaram dois porta-contentores que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz sem as “licenças necessárias”. Dois organismos de monitorização da segurança marítima com sede no Reino Unido confirmaram que três navios comerciais relataram incidentes com lanchas de patrulha na passagem estratégica, cujo controlo é disputado pelas forças americanas e iranianas. As autoridades iranianas identificaram um navio como “MSC-Francesca”, que disseram pertencer a Israel, e o outro como “Epaminondas”. A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou, por sua vez, que uma lancha iraniana disparou contra um porta-contentores ao longo da costa de Omã. Segundo a empresa britânica “Vanguard Tech”, trata-se do navio “Euphoria”, com bandeira do Panamá.

 

JTM com agências internacionais