epa13010691 Damaged cars are seen after an Israeli airstrike that targeted the city of Tyre, Lebanon, 02 June 2026. The Lebanese Ministry of Health said that, as of 01 June, Israeli attacks across Lebanon have killed more than 3,435 people and injured more than 10,400, since renewed hostilities between Israel and Hezbollah began.  EPA/WAEL HAMZEH
epa13010691 Damaged cars are seen after an Israeli airstrike that targeted the city of Tyre, Lebanon, 02 June 2026. The Lebanese Ministry of Health said that, as of 01 June, Israeli attacks across Lebanon have killed more than 3,435 people and injured more than 10,400, since renewed hostilities between Israel and Hezbollah began. EPA/WAEL HAMZEH

O Presidente norte-americano terá repreendido o Primeiro-Ministro israelita na segunda-feira, durante um telefonema para discutir a escalada da ofensiva israelita contra o Líbano, segundo o portal norte-americano Axios. De acordo com responsáveis ​​norte-americanos citados anonimamente pelo influente portal, Donald Trump usou linguagem vulgar para expressar o seu descontentamento, acusando Benjamin Netanyahu de colocar em perigo as negociações com o Irão.

A expressão utilizada por Trump terá sido “és completamente louco”, depois de Netanyahu ter avisado que a sua posição não tinha mudado e que atacaria “alvos terroristas” em Beirute se a milícia xiita Hezbollah não interrompesse os seus ataques contra Israel.

Netanyahu ordenou a intensificação da ofensiva no Líbano na segunda-feira com ataques nos arredores de Beirute, uma escalada que viola o cessar-fogo existente e põe em risco as conversações de paz entre Israel e o Líbano, previstas para ontem em Washington, nas quais o Hezbollah não participa.

Israel executou ontem ataques nocturnos no sul do Líbano que deixaram pelo menos seis mortos e o Hezbollah lançou projécteis contra o país vizinho, apesar de Donald Trump ter anunciado um compromisso para moderar as hostilidades “Vamos ver quanto tempo isso dura; tomara que seja pela eternidade!”, escreveu o Presidente nas redes sociais, descrevendo a conversa telefónica com Netanyahu como “muito produtiva”.

Os combates entre o Exército israelita e o grupo islamita apoiado pelo Irão começaram a 2 de Março, quando o Hezbollah atacou o território de Israel como represália aos bombardeamentos do Estado hebreu e de Washington contra Teerão que, a 28 de Fevereiro, desencadearam a guerra no Médio Oriente. As agressões não cessaram apesar da entrada em vigor de uma suposta trégua a 17 de Abril.

O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que actua como intermediário entre o Hezbollah e Washington, terá a missão de garantir que o grupo respeite um “cessar-fogo geral” com Israel, afirmou um dos seus assessores à AFP.

Teerão exigiu, durante as conversações indirectas com os EUA, que qualquer acordo para encerrar as hostilidades na região inclua um cessar-fogo efectivo na frente libanesa.

Por outro lado, Mohammad Jafar Asadi, vice-chefe do comando militar central do Irão, o Khatam al-Anbiy, afirmou ontem que o reinício da guerra contra Washington é “inevitável”, segundo declarações divulgadas pela televisão estatal Irib. “Os EUA exigem a nossa rendição completa, mas a nação iraniana nunca se renderá”, afirmou Asadi.

“Sem rendição, a guerra é inevitável. Então, aguardamos. A guerra não nos assusta”, completou o militar.

As declarações de Trump tiveram pouco efeito na frente de batalha libanesa. O Hezbollah reivindicou um ataque com foguetes contra um tanque israelita em Hadatha, no sul do Líbano, e afirmou no Telegram que luta contra “o avanço das forças israelitas”. Por sua vez, p Exército israelita anunciou a interceptação de dois projécteis, sem relatar feridos.

Desde que o Líbano foi arrastado para o conflito regional, mais de 3.400 pessoas morreram e mais de um milhão foram deslocadas, segundo Beirute. O balanço do lado israelita é de 27 mortos, incluindo 26 soldados e um civil.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, recomendou na segunda-feira a continuidade das tropas das Nações Unidas no Líbano após a saída prevista, no fim de 2026, da actual força de manutenção da paz.

 

JTM com agências internacionais