O Presidente norte-americano terá repreendido o Primeiro-Ministro israelita na segunda-feira, durante um telefonema para discutir a escalada da ofensiva israelita contra o Líbano, segundo o portal norte-americano Axios. De acordo com responsáveis norte-americanos citados anonimamente pelo influente portal, Donald Trump usou linguagem vulgar para expressar o seu descontentamento, acusando Benjamin Netanyahu de colocar em perigo as negociações com o Irão.
A expressão utilizada por Trump terá sido “és completamente louco”, depois de Netanyahu ter avisado que a sua posição não tinha mudado e que atacaria “alvos terroristas” em Beirute se a milícia xiita Hezbollah não interrompesse os seus ataques contra Israel.
Netanyahu ordenou a intensificação da ofensiva no Líbano na segunda-feira com ataques nos arredores de Beirute, uma escalada que viola o cessar-fogo existente e põe em risco as conversações de paz entre Israel e o Líbano, previstas para ontem em Washington, nas quais o Hezbollah não participa.
Israel executou ontem ataques nocturnos no sul do Líbano que deixaram pelo menos seis mortos e o Hezbollah lançou projécteis contra o país vizinho, apesar de Donald Trump ter anunciado um compromisso para moderar as hostilidades “Vamos ver quanto tempo isso dura; tomara que seja pela eternidade!”, escreveu o Presidente nas redes sociais, descrevendo a conversa telefónica com Netanyahu como “muito produtiva”.
Os combates entre o Exército israelita e o grupo islamita apoiado pelo Irão começaram a 2 de Março, quando o Hezbollah atacou o território de Israel como represália aos bombardeamentos do Estado hebreu e de Washington contra Teerão que, a 28 de Fevereiro, desencadearam a guerra no Médio Oriente. As agressões não cessaram apesar da entrada em vigor de uma suposta trégua a 17 de Abril.
O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que actua como intermediário entre o Hezbollah e Washington, terá a missão de garantir que o grupo respeite um “cessar-fogo geral” com Israel, afirmou um dos seus assessores à AFP.
Teerão exigiu, durante as conversações indirectas com os EUA, que qualquer acordo para encerrar as hostilidades na região inclua um cessar-fogo efectivo na frente libanesa.
Por outro lado, Mohammad Jafar Asadi, vice-chefe do comando militar central do Irão, o Khatam al-Anbiy, afirmou ontem que o reinício da guerra contra Washington é “inevitável”, segundo declarações divulgadas pela televisão estatal Irib. “Os EUA exigem a nossa rendição completa, mas a nação iraniana nunca se renderá”, afirmou Asadi.
“Sem rendição, a guerra é inevitável. Então, aguardamos. A guerra não nos assusta”, completou o militar.
As declarações de Trump tiveram pouco efeito na frente de batalha libanesa. O Hezbollah reivindicou um ataque com foguetes contra um tanque israelita em Hadatha, no sul do Líbano, e afirmou no Telegram que luta contra “o avanço das forças israelitas”. Por sua vez, p Exército israelita anunciou a interceptação de dois projécteis, sem relatar feridos.
Desde que o Líbano foi arrastado para o conflito regional, mais de 3.400 pessoas morreram e mais de um milhão foram deslocadas, segundo Beirute. O balanço do lado israelita é de 27 mortos, incluindo 26 soldados e um civil.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, recomendou na segunda-feira a continuidade das tropas das Nações Unidas no Líbano após a saída prevista, no fim de 2026, da actual força de manutenção da paz.
JTM com agências internacionais



