O Presidente dos EUA afirmou ontem que o Irão demorou demasiado tempo a negociar um acordo e que agora “terá de pagar o preço”. “O Irão só fala e não age. O rufia do Médio Oriente está morto! Demorou demasiado tempo a negociar um acordo que os teria beneficiado enormemente”, disse Donald Trump na sua plataforma “Truth Social”, depois de Teerão ter declarado que irá rever a continuidade das negociações em resultado das últimas hostilidades.
A noite de terça-feira foi a pior, em termos de ataques, desde o cessar-fogo estabelecido a 8 de Abril, depois de as forças norte-americanas terem atacado vários locais no sul do país em retaliação pela alegada queda de um helicóptero no Estreito de Ormuz. O Irão respondeu com bombardeamentos contra 21 alvos militares norte-americanos em todo o Médio Oriente, incluindo a Jordânia, o Kuwait e o Bahrein, alegação negada por Washington.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Ismail Bagaei, declarou que, após estes ataques, Teerão irá “rever a situação actual” das negociações com os EUA, dado que “o processo diplomático não ocorre no vazio, e para avançar em qualquer processo diplomático, é necessário um clima mínimo de trabalho”.
Na sua mensagem na “Truth Social”, Trump afirmou que “as forças armadas iranianas são um completo desastre” e insistiu que “grande parte delas, como a Marinha e a Força Aérea, já nem sequer existem; foram totalmente derrotadas”.
Alegou ainda noutra publicação que o bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz é o “mais bem-sucedido da história da guerra naval”. “Nada acontece a não ser que queiramos. É uma muralha de aço! O Irão não está a fazer nenhum negócio, não está a pagar às suas forças armadas nem às suas contas, e está a tornar-se rapidamente uma nação fracassada! Está a verter muito petróleo. Graças a Deus!”, acrescentou.
As autoridades iranianas afirmaram que os ataques norte-americanos destruíram várias torres de comunicação e duas centrais de dessalinização na região de Sirik, deixando cerca de 20 mil pessoas sem água potável.
A China voltou a apelar à “calma e moderação”, defendendo um cessar-fogo rápido e o regresso à via diplomática. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Lin Jian manifestou a “profunda preocupação” de Pequim com a situação e apelou a todas as partes envolvidas para que adoptem “medidas concretas” destinadas a reduzir as tensões.
JTM com agências internacionais



