hO Estreito de Ormuz está “completamente aberto às embarcações comerciais”, em conformidade com o memorando de entendimento entre o Irão e os EUA para prolongar o cessar-fogo e chegar a um acordo final no prazo de 60 dias, asseguraram o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o embaixador iraniano nas Nações Unidas em Genebra, Ali Bahraini.
O diplomata iraniano especificou que, pelo menos durante esses 60 dias, os navios não terão de pagar taxas para usar o estreito. O que acontecerá depois, incluindo o trânsito de navios militares, dependerá do resultado das negociações, acrescentou.
No entanto, Bahraini antecipou que “a situação não será a mesma de antes da guerra” em Ormuz, uma vez que Teerão entende que os seus “inimigos” usavam o estreito para “equipar as suas bases no Golfo Pérsico e atacar o Irão”. Segundo o embaixador, o Irão não vê Ormuz como uma potencial fonte de receitas e irá discutir com Omã – país com o qual partilha a soberania sobre esta passagem – “que medidas são necessárias para o estreito”.
Estas declarações surgiram depois dos EUA terem anunciado a suspensão por dois meses das sanções ao petróleo iraniano.
Pelo menos 35 navios com carga atravessaram Ormuz na segunda-feira, um recorde desde o início da guerra no Médio Oriente no fim de Fevereiro, segundo dados da plataforma Kpler. O volume de tráfego representa quase um terço do que era registado em períodos de paz, quando cerca de 120 navios transitavam diariamente por esta passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos e outros produtos.
O Irão confirmou ontem que as negociações técnicas com os EUA foram concluídas e anunciou a criação de grupos de trabalho para tratar dessas questões. “Decidimos criar quatro comissões sobre a suspensão das sanções, a questão nuclear, a reconstrução e o desenvolvimento económico (do Irão), assim como um grupo de acompanhamento”, declarou à agência Irna o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi.
Por outro lado, o Irão negou ter concordado em permitir que os especialistas da Agência Internacional de Energia Atómica realizem inspecções às suas instalações nucleares. “Não houve negociações sérias sobre este assunto, pelo que qualquer informação divulgada sobre a permissão de os inspectores entrarem no Irão é incorrecta”, disse Ali Bahraini.
JTM com agências internacionais



