A próxima edição do Grande Prémio de Macau conta novamente com a participação de Tiago Monteiro que desta vez está no território apenas a dar apoio à equipa por ainda estar a recuperar de um acidente. O piloto português destaca que aos colegas da Boutsen Ginion Racing da Honda ensina os pequenos truques que ajudam a vingar numa pista “muito específica”

Inês Almeida

Apesar de não participar na competição, Tiago Monteiro regressou este fim-de-semana ao Circuito da Guia para dar apoio à equipa Boutsen Ginion Racing da Honda, que integra. “É um bocado mais frustrante e estranho. Estive todo o ano a acompanhar a equipa sem correr, excepto no Japão, mas aqui foi diferente e estranho porque não só já corri e sei que já poderia correr, depois Macau é muito especial”, salientou o piloto português que já foi ao pódio como vencedor no Grande Prémio de Macau.

No entanto, assegura: para o ano regressa à pista atrás do volante. “Felizmente tive o ‘ok’ dos médicos para regressar à Suzuka mas estava previsto que não iria fazer qualquer pista citadina. Estive quase a começar na China, mas não ia fazer uma pista citadina lá e não fazer Macau. Só por uma questão de segurança, é desnecessário correr tantos riscos. Não estou a lutar pelo campeonato, era um teste para ver como me estou a sentir”, explicou Tiago Monteiro.

Tudo correu pelo melhor e o piloto não sentiu quaisquer dificuldades quando voltou a correr, após 14 meses de pausa. “Foi como se não tivesse parado. Faltava um bocadinho de ritmo porque não andava a sério há 14 meses, mas não tive qualquer problema relacionado com o acidente, nem a nível da visão, nem a nível físico e não tive dores. Foi um alívio muito grande”, sublinhou o piloto.

Para o ano, Tiago Monteiro tem também contrato com a Honda e actualmente está a ser definida “a estrutura técnica” que decide a equipa em que ficará. “Mas é para estar em Macau para o ano”, promete.

Ajuda aos mais novos

Desta vez, a sua participação implica um trabalho diferente do habitual, ajudando os outros pilotos da sua equipa e dando-lhes conselhos. “É uma pista citadina, mas é muito diferente das outras e muito específica, com um alcatrão bastante escorregadio em comparação com os outros, muito irregular, curvas muito cegas, e há zonas onde é preciso antecipar muito”.

A título de exemplo, Tiago Monteiro aponta que há “zonas onde é preciso travar mais tarde por causa de ressaltos e outras que tem que se travar mais cedo”. “Há curvas que não se vê a saída mas temos de ter a confiança de poder acelerar cedo para se poder ganhar tempo”, acrescentou.

Além disso, há também a questão das afinações que têm de ser feitas aos carros. “O carro tem de ser afinado de forma diferente de uma pista normal. Às vezes alguns pilotos e engenheiros têm dificuldades e não gostam de ir nessa direcção porque acham que não faz sentido, mas conhecendo a pista e este tipo de carros sei que é melhor ir numa direcção um pouco diferente, um carro mais macio e suave, que não é tão eficaz, mas permite passar mais rápido nas condições irregulares e escorregadias” do piso.

As expectativas para a equipa até ao final da competição, admite, “não são fantásticas”. “Não vai ser um fim-de-semana fácil, mas Macau é uma maratona. Agora com três corridas pode acontecer muita coisa”.

Questionado sobre se o colega de equipa Esteban Guerrieri tem hipóteses de evitar que Robb Huff leve para casa o décimo título na Taça de Carros de Turismo da FIA, Tiago Monteiro diz que tudo depende do início da corrida. “Acho que pode [evitar a vitória de Huff] se conseguir arrancar melhor. Se Robb [Huff] estiver na frente, vai ser intocável”.