Pequim manifestou ontem “firme descontentamento” e “veemente oposição” às novas restrições impostas pelos EUA a várias instituições científicas chinesas e garantiu que tomará as medidas necessárias para salvaguardar os seus direitos e interesses legítimos.

Num comunicado, o Ministério do Comércio acusou Washington de politizar a cooperação científica, ao dificultar os intercâmbios bilaterais, e de alargar “indiscriminadamente” o conceito de segurança nacional. “Esta atitude contraria a tendência geral de cooperação mundial em matéria de inovação científica e tecnológica”, afirmou, instando os EUA a pôr termo às suas “práticas erradas” e a assegurar às instituições científicas chinesas um tratamento “justo, equitativo e não discriminatório”.

Em 23 de Julho, o Pentágono divulgou uma lista de 130 instituições estrangeiras consideradas uma ameaça para a segurança nacional norte-americana, da qual constam 88 entidades da China Continental. Embora a lista não constitua um regime de sanções nem proíba, de forma generalizada, que cidadãos norte-americanos mantenham relações com essas instituições, impede o Pentágono de financiar investigação científica de base realizada em colaboração com as mesmas ou que utilize os seus equipamentos.

Há muito que academias do Exército de Libertação Popular e universidades estreitamente ligadas à indústria de defesa chinesa figuravam na lista. Contudo, o jornal “South China Morning Post” assinalou que a recente inclusão de instituições de maior prestígio poderá afectar uma rede muito mais ampla de colaborações científicas. Entre as novas entidades abrangidas estão a Universidade de Fudan e a Universidade Jiao Tong de Xangai, ambas pertencentes à Liga C9, aliança das principais universidades de investigação da China.

 

Washington proíbe importação de robôs humanóides

Noutro foco de atritos, Pequim acusou os EUA de tentarem reprimir as empresas chinesas, depois de Washington anunciar a proibição da importação de robôs humanóides fabricados no estrangeiro. A Administração de Donald Trump acrescentou na terça-feira os robôs humanóides e quadrúpedes à lista de produtos proibidos de entrar nos EUA, no âmbito de medidas destinadas a proteger a segurança nacional.

A maioria dos robôs humanóides comercializados nos EUA é fabricada no estrangeiro, nomeadamente na China, cujas empresas e ‘startups’ se afirmaram como pioneiras num sector em rápida expansão.

“A China sempre se opôs firmemente à tendência dos EUA para invocar abusivamente a segurança nacional para reprimir empresas chinesas”, afirmou a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning, em conferência de imprensa. “O proteccionismo não melhora a competitividade dos EUA. Apenas prejudica os interesses das empresas e dos consumidores norte-americanos”, acrescentou.

Mao garantiu ainda que Pequim tomará “as medidas necessárias” para defender os interesses das empresas chinesas.

Os chamados “dispositivos robóticos avançados”, categoria que inclui “robôs móveis”, foram acrescentados à lista da Comissão Federal das Comunicações (FCC), regulador norte-americano das telecomunicações. A lista já incluía determinados tipos de drones, bem como empresas chinesas como a Huawei e a China Telecom.

A decisão foi tomada com base nas conclusões de um grupo de trabalho criado pela Casa Branca.

Actualmente, a maioria dos robôs humanóides destina-se a aplicações industriais, sobretudo em ambientes controlados, como fábricas automóveis e centros logísticos.

 

JTM com Lusa