Os cidadãos de Hong Kong foram ontem às urnas em número recorde para eleger 452 representantes nos 18 conselhos distritais do território, num escrutínio transformado em barómetro do apoio público aos protestos antigovernamentais que se arrastam há quase seis meses. Nas últimas eleições, em 2015, o campo pró-Pequim obteve quase dois terços dos assentos.

No final de um dia de tréguas, sem registo de incidentes, o presidente da Comissão dos Assuntos Eleitorais, indicou que o número de votantes superou 2,94 milhões, representando uma taxa de participação de 71,2%, ultrapassando largamente a percentagem de 47% registada em 2015. À hora do fecho desta edição ainda não eram conhecidos resultados da eleição, continuando em curso a operação da contagem de votos

David Alton, membro da Câmara dos Lordes britânica que fez parte de um grupo de observadores internacionais, elogiou a alta taxa de participação. “Isso mostra que há uma grande crença na democracia”, sublinhou, citado pela agência Associated Press.

Por sua vez, a Chefe do Executivo de Hong Kong lamentou o facto dos distúrbios nas últimas semanas terem dificultado a organização das eleições. “Espero que esta estabilidade e calma não sejam apenas para as eleições de hoje, e que as eleições mostrem que ninguém quer que Hong Kong volte ao caos, e que queremos sair desta crise para ter um novo começo”, disse Carrie Lam, após votar.

Ainda antes da abertura das urnas, muitas pessoas fizeram fila para estarem entre os primeiros a votar, algo insólito na cidade de cerca de 7,5 milhões de habitantes, dos quais 4,1 milhões estavam registados para votar, outro número recorde. Em relação a 2015, o recenseamento integrou cerca de um milhão de novos eleitores, sendo que 392.600 inscreveram-se no último ano – coincidindo com os protestos. Mais de metade destes eleitores têm entre 18 e 20 anos de idade.

Face à situação excepcional vivida na cidade, pela primeira vez na história de Hong Kong, a tropa de choque da polícia assegurou a segurança das urnas, e mais de 30 mil agentes da corporação estiveram de plantão.