Um vídeo com o pianista José Li Silveirinha a tocar algumas das músicas mais conhecidas de Zeca Afonso foi a forma que a “Comissão Ad Hoc 25 de Abril” em Macau encontrou para assinalar este ano o Dia da Liberdade face à actual conjuntura motivada pelo COVID-19. Manuel Geraldes, membro da comissão e “Capitão de Abril”, frisou à TRIBUNA DE MACAU que a revolução dos cravos deve ser sempre recordada para que este marco histórico não caia no esquecimento

 

Sofia Rebelo

 

Perante as restrições impostas pela pandemia do COVID-19, a “Comissão Ad Hoc 25 de Abril” em Macau resolveu assinalar o “Dia da Liberdade” através de um piano e dos meios digitais.

“Juntámo-nos, com o apoio de José Silveirinha, que tem um filho que é um grande artista de 15 anos e toca Zeca Afonso como ninguém, e gravámos um programa que eventualmente pudesse ser transmitido nas redes sociais e nas televisões”, explicou Manuel Geraldes ao Jornal TRIBUNA DE MACAU. O projecto inclui a transmissão do vídeo na TDM e talvez na RTP.

O vídeo, com cerca de 30 minutos, do jovem pianista José Li Silveirinha a interpretar temas como o “Grândola, Vila Morena” ou “Maria Faia” no Clube Militar de Macau chegou à Associação 25 Abril que de imediato o partilhou pelas redes sociais.

Manuel Geraldes, membro da comissão e também ele um “Capitão de Abril”, sublinha a importância da comemoração da data para que não caia no esquecimento. “É importante as pessoas lembrarem-se da importância de assinalar do 25 Abril, pela ocasião que é. Um marco histórico da libertação de uma ditadura retrógrada, da pobreza e da miséria”, salientou.

Nos últimos anos, a comissão celebrou o 25 de Abril com iniciativas como conferências ou exposições em Macau. “Costumamos fazer uma conferência com conferencistas que vêm de Portugal. Já vieram João Soares, António Reis, Júlio Pereira, mas este ano como não pôde vir ninguém lembrámo-nos disto”, afirmou.

O vídeo já teve repercussões na imprensa portuguesa. Em declarações à revista “Visão”, Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, afirmou que se trata de “um momento musical extraordinário”. “São 30 minutos arrepiantes e emotivos, com as músicas que todos conhecemos, aprendidas de ouvido por um pianista genial. Prova de que aquilo que conquistámos não tem fronteiras”, destacou.

A associação estará representada este sábado no Parlamento português, mas Vasco Lourenço deixou um lamento: “Custa muito saber que não posso celebrar a liberdade como me habituei”.

Vasco Lourenço também gravou um vídeo, mas com uma mensagem sobre o 25 de Abril que disponibilizou a várias entidades e instituições, cujo conteúdo não ignora os avisos e as consequências da pandemia. “Confiamos que as lições resultantes desta crise desmascarem a enorme mediocridade de algumas personagens que ascenderam ao poder, se transformaram em líderes dos seus povos e os estão a arrastar para o abismo! Confiamos que esse desmascaramento mostre quão frágeis são os pedestais a que se alcandoraram!”, refere o antigo membro do Conselho da Revolução, em nome dos dirigentes da Associação 25 de Abril. “Não podemos descuidar-nos, teremos de estar alerta e prontos a, com a coragem indispensável à conquista da Liberdade, actuarmos em conjunto, sobrepondo o colectivo ao individual, desmascarando a mentira e exigindo a verdade”.