Macau pediu aos residentes e turistas do território no Japão para elevarem o estado de alerta, após Pequim desaconselhar deslocações ao país na sequência de declarações da líder nipónica sobre uma eventual intervenção japonesa num conflito com Taiwan.

O aviso da Direcção dos Serviços de Turismo de Macau (DST), lê-se num comunicado, surge após “o alerta emitido recentemente pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, relativo à deslocação de cidadãos chineses ao Japão, dado que a partir de meados deste ano, a tendência de ocorrência de ataques no Japão contra cidadãos chineses tem vindo a aumentar”.

“A DST mantém-se atenta à situação”, acrescenta-se na nota, pedindo ainda aos residentes para estarem a par das últimas actualizações na página electrónica do Turismo de Macau e dos serviços consulares chineses no Japão.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China emitiu um alerta na sexta-feira, no qual desaconselha as viagens para o Japão devido à deterioração do ambiente de segurança. As principais companhias aéreas chinesas anunciaram no sábado o reembolso total dos voos com destino ao Japão, após o apelo do Governo.

Uma medida que a Air Macau seguiu, anunciando ontem o reembolso ou troca de bilhetes para o Japão. Segundo a companhia aérea, as passagens podem ser trocadas ou o dinheiro devolvido, aplicando-se a medida a bilhetes emitidos antes de 15 de Novembro e com datas de viagem entre esse mesmo dia e 31 de Dezembro próximo.

Na semana passada, a Primeira-Ministra nipónica, Sanae Takaichi, afirmou no parlamento que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”. “Temos de considerar o pior cenário”, acrescentou.

As declarações foram amplamente interpretadas como uma indicação de que um ataque a Taiwan poderia justificar o apoio militar de Tóquio à ilha. De acordo com a legislação japonesa, o país só pode intervir militarmente em determinadas condições, nomeadamente em caso de ameaça existencial – Taiwan fica apenas a 100 quilómetros da ilha japonesa mais próxima.

Na sexta-feira, Pequim anunciou ter convocado o embaixador japonês, considerando “extremamente graves” as declarações de Takaichi. O Japão afirmou ter feito o mesmo com o embaixador da China, após uma ameaça considerada “extremamente inadequada” por parte do cônsul-geral da China em Osaka, Xue Jian. Numa mensagem entretanto apagada da rede social X, Xue ameaçou “cortar a cabeça suja sem a menor hesitação” de Takaichi.

Tóquio afirmou na sexta-feira que a posição sobre Taiwan permanecia inalterada e defendeu “a paz e a estabilidade”.

 

JTM com Lusa