epa12119678 Couples pose for pre-wedding photos in a park on ‘520 Day’ in Beijing, China, 20 May 2025. In China, the date 20 May is an unofficial Valentine’s Day known as '520 Day' because the pronunciation of 'five two zero' (520) sounds similar to 'I love you' in Mandarin. The day is marked by gift-giving and expressions of love.  EPA/JESSICA LEE
epa12119678 Couples pose for pre-wedding photos in a park on ‘520 Day’ in Beijing, China, 20 May 2025. In China, the date 20 May is an unofficial Valentine’s Day known as '520 Day' because the pronunciation of 'five two zero' (520) sounds similar to 'I love you' in Mandarin. The day is marked by gift-giving and expressions of love. EPA/JESSICA LEE

Várias regiões chinesas começaram a lançar medidas para prolongar a licença de casamento, num esforço para promover uma “sociedade amiga das crianças” face à crise demográfica no país.

Na província de Sichuan, com mais de 80 milhões de habitantes, as autoridades propuseram aumentar a licença de casamento de três para 20 dias, com cinco dias adicionais para quem se submeter a um exame médico pré-nupcial, informou o “China Daily”. Na província de Shandong, com mais de 100 milhões de habitantes, a licença foi alargada para um máximo de 18 dias desde Janeiro, e noutras como Shanxi e Gansu são oferecidos até 30 dias.

A nível nacional, a China concede três dias de licença de casamento desde 1980. Porém, este período é insuficiente para as necessidades actuais dos jovens casais, que necessitam de mais tempo para as cerimónias e viajar para as cidades natais, prática que se mantém enraizada apesar da migração para estudo ou trabalho, de acordo com Xu Jinmei, legislador de Shandong, citado pelo jornal.

Os governos regionais responderam desta forma ao declínio do número de casamentos e às novas percepções dos jovens casais sobre o matrimónio. Segundo as estatísticas oficiais, o número de casamentos na China atingiu 6,1 milhões em 2024, o número mais baixo desde 1980.

Um estudo recente indicou que mais de metade dos alunos universitários chineses não consideram relevantes o casamento, a maternidade ou a paternidade, num país onde as taxas de casamento e de fecundidade estão intimamente ligadas, tendo em conta os tabus e os obstáculos burocráticos associados a ter um filho fora do casamento.

Zhai Zhenwu, presidente da Associação de População da China, citado pelo “China Daily”, indicou que os custos destas extensões de licenças “não são assim tão elevados” e sugeriu que os governos locais assumam parte dos custos para aliviar o fardo das empresas.

Desde 2021 que a China permite que as crianças tenham um terceiro filho, mas a taxa de fecundidade continua a descer. Segundo os analistas locais, a taxa ronda um filho por mulher, colocando a China acima apenas da Coreia do Sul neste indicador.

Os casais chineses apontam os elevados custos para criar um filho e a priorização das suas carreiras como alguns dos principais obstáculos para terem filhos. Em resposta a esta situação, as autoridades sublinharam a necessidade de criar uma “sociedade amiga dos bebés” nos últimos anos, e os especialistas locais recomendaram o aumento dos subsídios para habitação, creche e educação.

 

JTM com agências internacionais