Trabalhadores da higiene urbana da Câmara Municipal de Lisboa, junto ao polo dos Olivais, no âmbito da greve geral de 03 de junho, em Lisboa, 2 de junho de 2026. A CGTP entregou um pré-aviso de greve geral para 03 de junho contra as alterações à lei laboral, após as negociações com o Governo terem terminado sem acordo. MIGUEL A. LOPES/LUSA
Trabalhadores da higiene urbana da Câmara Municipal de Lisboa, junto ao polo dos Olivais, no âmbito da greve geral de 03 de junho, em Lisboa, 2 de junho de 2026. A CGTP entregou um pré-aviso de greve geral para 03 de junho contra as alterações à lei laboral, após as negociações com o Governo terem terminado sem acordo. MIGUEL A. LOPES/LUSA

A greve geral convocada para ontem em Portugal, pela central sindical CGTP, em protesto contra a reforma laboral promovida pelo governo, começou a fazer-se sentir às primeiras horas do dia, sobretudo nos transportes, com os comboios e autocarros a serem afectados em grande parte do país, assim como os aeroportos, embora tenham sido decretados serviços mínimos para muitos deles. Como seria de esperar, Governo e sindicalistas fizeram análises muito distintas sobre a adesão à greve.

Numa conferência de imprensa em Lisboa, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sublinhou que a “esmagadora maioria” dos portugueses estava a trabalhar. Maria do Rosário Palma Ramalho admitiu “algumas limitações operacionais” no sector público, nomeadamente nos hospitais, porém, garantiu que a adesão foi “absolutamente residual” no sector privado ou “mesmo nula” nalgumas áreas.

No sector público, “naturalmente, temos uma maior adesão” à greve geral, disse, sendo os transportes e a saúde os mais afectados. Segundo especificou, entre 38% e 45% das escolas encerraram devido à falta de pessoal, com 41% dos funcionários não docentes e 24% dos professores a participarem na greve.

Em relação aos transportes, salientou que os serviços mínimos estavam a ser mantidos. “Há um conjunto de meios de transportes que tiveram supressões, mas, em todo o caso, os serviços mínimos estão a ser assegurados, e, em alguns casos, tem havido transporte muito para além do previsto dos próprios serviços mínimos”, realçou.

Citando dados fornecidos pelas associações patronais, Palma Ramalho afirmou que, no sector industrial, “todas as fábricas estão a operar nas principais zonas de produção do país”.

No sector turístico, afirmou que “não há restrições nos hotéis ou nas agências de viagens” e que na TAP “há efeitos indirectos, mas não nas operações”. Ainda assim, segundo o site da TAP, a companhia planeava operar 79 voos no âmbito dos serviços mínimos obrigatórios durante a greve.

Já o secretário-geral da CGTP garantiu que houve “grandes adesões em todos os sectores”. “Este é um Governo que, mais uma vez, revela um total alheamento da realidade”, disse Tiago Oliveira, em reacção ao ponto da situação feito pela ministra do Trabalho.

Segundo o Diário de Notícias, Tiago Oliveira deu alguns exemplos no sector privado, destacando, entre outros casos, 100% de adesão na DS Smith Leiria, na Sovena, na Bimbo, na Cerealto. Referiu ainda a Bosch, com 95% de adesão.

No sector dos transportes, Tiago Oliveira apontou para 100% de adesão no Metro de Lisboa, na Transdev Viseu, na empresa de transportes urbanos da Guarda, na transportes urbanos da Guarda e na da Covilhã.