O Governo português declarou ontem situação de alerta devido às altas temperaturas esperadas até segunda-feira, e emitiu despachos de excepção para proibir a utilização de maquinaria em actividades agrícolas. O anúncio foi feito pelo ministro da Administração Interna após uma reunião com a equipa que integra o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), situado nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde alertou ainda para o “agravamento muito significativo das condições atmosféricas”.

“Para situações de grande emergência, o Governo vai avançar com uma declaração de situação de alerta, que são medidas de excepção para momentos extraordinários e de dificuldades”, afirmou Luís Neves. O governante precisou que “pelo menos até ao dia 06, depois haverá outros momentos de avaliação”, é esperado no interior do país “forte calor, temperaturas superiores a 40 graus, baixíssimos índices de humidade, e ventos que podem chegar aos 70 quilómetros por hora ou até mais”.

Segundo Luís Neves, estas são “condições de perigo de incêndio rural muito elevado ou máximo”, pelo que reiterou o pedido aos cidadãos para serem responsáveis e evitarem comportamentos negligentes.

O Governo assinou um diploma que destaca, “em primeiro lugar, a proibição de acesso e circulação a determinados ou, entre outros, espaços florestais, previamente definidos”, disse o ministro. O documento proíbe queimadas e queimas de sobrantes da exploração agrícola, e a realização de “trabalhos nos espaços florestais, com recurso a qualquer tipo de maquinaria, com excepção dos associados a situações de combate a incêndios rurais”.

Luís Neves sublinhou o risco de utilização de motorroçadoras de lâmina, corta-matos, destroçadores e máquinas com lâmina ou pá frontal, uma vez que podem provocar faíscas e iniciar um incêndio. Também não é permitido o uso de fogo-de-artifício ou outros artefactos pirotécnicos, independentemente da sua forma de combustão, assim como o lançamento de balões com mecha.

“Pequenos momentos de negligência transformam-se em grandes momentos de desgraça”, observou, exemplificando com os incêndios que destruíram parte do Parque Natural da Serra da Estrela, considerando que “tudo aponta” para “um acto absolutamente negligente”, de um cigarro, e em Odemira e Monchique, cuja ignição ter-se-á iniciado com “um facto tão simples” como um grupo de amigos fazerem um grelhado à borda da estrada. Avisando que se esperam “noites tropicais”, o ministro reforçou que “não vai haver espaço para as florestas arrefecerem”, pelo que se estará perante “um barril de pólvora”.

 

JTM com Lusa