A China defendeu que as disputas no mar do Sul da China não devem tornar-se um obstáculo às relações com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), numa altura de crescente tensão com as Filipinas.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian declarou, em conferência de imprensa que essa foi a mensagem transmitida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, durante a reunião ministerial China – ASEAN, realizada em Manila.

Segundo a versão divulgada por Pequim, Wang afirmou que o mar do Sul da China é a “casa comum” dos países da região e que a China e a ASEAN têm a sabedoria e a capacidade para gerir as divergências e preservar a paz e a estabilidade.

“A questão do mar do Sul da China não deve tornar-se um obstáculo às relações entre a China e a ASEAN”, afirmou o chefe da diplomacia chinesa, apelando a que a iniciativa para preservar a estabilidade nessas águas permaneça firmemente nas mãos dos países da região.

Wang acrescentou que a China está disposta a trabalhar com a ASEAN para “eliminar factores de interferência” e acelerar as negociações sobre o Código de Conduta, segundo Lin.

Esse mecanismo, negociado há vários anos, visa estabelecer normas de conduta numa área marítima onde Pequim mantém disputas de soberania com vários países da região.

As declarações surgem num contexto de agravamento das tensões entre a China e as Filipinas, que esta semana trocaram protestos diplomáticos na sequência de um incidente junto ao recife Second Thomas. Os dois países divergiram também sobre um outro incidente em águas próximas do atol de Scarborough, onde a Guarda Costeira chinesa afirmou ter expulsado dois navios oficiais filipinos.

Ontem, Wang Yi advertiu as Filipinas de que terão de “suportar amargas consequências”, caso continuem a provocar Pequim com apoio de países terceiros. Num encontro com a homóloga filipina, Theresa Lazaro, Wang apresentou um “veemente protesto” pelo que Pequim classificou como um “acto agressivo de abalroamento” de um navio da guarda costeira chinesa por embarcações militares filipinas junto ao atol Second Thomas.

Foi o terceiro dia consecutivo em que Pequim protestou oficialmente contra o incidente ocorrido. Segundo um comunicado divulgado pelo MNE chinês, Wang afirmou que as relações bilaterais se encontram “numa encruzilhada” e que cabe a Manila fazer “uma escolha correcta e racional”.

“Os factos provaram que permitir a interferência de forças externas e amplificar deliberadamente as divergências marítimas apenas transformará as Filipinas numa ferramenta de outros países”, declarou.

“Tentar provocar e criar problemas com a ajuda de países de fora da região fará com que as Filipinas acabem por suportar as amargas consequências das suas próprias acções”, acrescentou.

O chefe da diplomacia chinesa sustentou também que a China “nunca constituiu uma ameaça para a segurança das Filipinas” e “nunca invadiu nem colonizou” o país, defendendo que as disputas marítimas devem ser resolvidas através do diálogo.

 

JTM com Lusa