A China rejeitou ontem a proposta dos EUA de impor novas tarifas a dezenas de países pelas importações ligadas ao trabalho forçado, garantindo que tal fenómeno “não existe” no país e opondo-se à sua utilização como pretexto para “politização”.
Mao Ning, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, reiterou em conferência de imprensa que Pequim se opõe “consistentemente” às medidas tarifárias unilaterais e considera que as guerras comerciais “não beneficiam nenhum dos lados”. “As questões económicas e comerciais devem ser resolvidas através do diálogo e da consulta com base na igualdade, no respeito e no benefício mútuo”, declarou a porta-voz.
O Gabinete do Representante do Comércio dos EUA (USTR) propôs a imposição de tarifas adicionais de 10% sobre as importações de 14 economias e de 12,5% sobre 46 países e territórios, incluindo a China e Hong Kong, no âmbito de uma investigação ao abrigo da Secção 301 da Lei do Comércio de 1974. De acordo com a investigação, os países afectados não tomaram medidas suficientes para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado em países terceiros.
A proposta encontra-se ainda numa fase preliminar e estará sujeita a um período de consulta e comentários de 45 dias antes de qualquer possível implementação.
As novas medidas surgem no meio de tensões comerciais persistentes entre Pequim e Washington, que realizaram várias rondas de negociações nos últimos meses e continuam em desacordo sobre questões como tarifas, restrições tecnológicas e cadeias de abastecimento. A China tem rejeitado repetidamente as acusações de trabalho forçado, especialmente as relacionadas com a região noroeste de Xinjiang, e acusou os EUA e outros países ocidentais de instrumentalizarem as questões dos direitos humanos para fins políticos e comerciais.
Já o Governo de Taiwan desvalorizou a proposta americana de impor uma tarifa adicional de 10% sobre as importações da ilha, ao mesmo tempo que manifestou confiança em garantir um “acordo favorável” no âmbito do pacto comercial assinado com Washington em Fevereiro.
A proposta americana também foi gerou críticas em Bruxelas, com a Comissão Europeia (CE) a sublinhar que “as tarifas impostas por estes motivos carecem de justificação”. Num comunicado, a Comissão explicou que a UE “partilha plenamente” as preocupações dos EUA em relação ao trabalho forçado e “mantém-se firmemente empenhada em erradicá-lo das cadeias de abastecimento globais através de medidas concretas”.
Recordou ainda que, em 2024, os legisladores da UE adoptaram o regulamento sobre o trabalho forçado, que “representa um dos instrumentos mais ambiciosos do seu género a nível mundial”. Esta legislação proíbe a comercialização na UE de todos os produtos fabricados com trabalho forçado, independentemente de terem origem na UE ou num país terceiro.
O aumento de 10% afecta as tarifas de importação da União Europeia, bem como de países como o Canadá, México, Argentina e Reino Unido.
JTM com agências internacionais



