A cúpula do Partido Comunista Chinês (PCC) apelou ontem ao reforço da segurança energética face ao impacto da subida dos preços do petróleo e do gás, após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão. O Presidente chinês, Xi Jinping, presidiu a uma reunião do Politburo na qual foi sublinhada “a necessidade de enfrentar de forma sistemática as perturbações e desafios provenientes do exterior”, segundo um comunicado divulgado pela agência Xinhua.

Perante a conjuntura, a liderança do PCC defendeu a importância de “responder às diversas incertezas com a certeza do desenvolvimento de alta qualidade”, numa referência ao novo modelo económico que Pequim procura consolidar, num contexto de abrandamento do crescimento. Apontou ainda para uma política fiscal “mais proactiva” e uma política monetária “moderadamente flexível”, com liquidez “ampla” no sistema financeiro, bem como para medidas de estímulo à procura interna, estabilização do emprego e das expectativas dos mercados.

Entre as preocupações destacadas estão também a taxa de câmbio do yuan, o sector imobiliário, a concorrência excessiva nalguns sectores, a dívida oculta de governos locais e a necessidade de avançar na regulação da inteligência artificial.

No plano energético, o Politburo apelou ao reforço da planificação e construção de novas redes hídricas e eléctricas, infra-estruturas subterrâneas urbanas e sistemas de computação, comunicações e logística.

“É necessário (…) promover o arranque de projectos-chave quando as condições forem adequadas”, refere o comunicado.

A reunião ocorreu um dia após um responsável da Administração Nacional de Energia ter destacado a resiliência do sector petrolífero chinês face aos riscos decorrentes da guerra com o Irão, classificando como garantido o abastecimento de crude e gás, graças ao aumento da produção interna, diversificação das importações e controlo temporário dos preços.

O bloqueio ‘de facto’ do Estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20% do petróleo e gás mundiais antes do conflito, afectou toda a Ásia. No caso da China, a rota é particularmente sensível, dado que por ali passam cerca de 45% das suas importações energéticas. O conflito levou a uma subida dos preços dos combustíveis no país, obrigando as autoridades a limitar temporariamente os aumentos a cerca de metade do que resultaria do mecanismo habitual, tendo sido registada na semana passada a primeira descida em 2026.

A China beneficiou parcialmente do contexto, com um aumento das exportações de tecnologias ‘verdes’, como painéis solares, baterias e veículos eléctricos, impulsionadas pela subida global dos preços do crude.

Pequim condenou repetidamente os ataques de Washington e Telavive contra Teerão, mas sublinhou também a necessidade de respeitar a soberania dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas.

 

Energia solar pode superar carvão até ao final do ano

A capacidade instalada de energia solar na China deverá superar pela primeira vez a do carvão em 2026 e, juntamente com a eólica, representar metade do total, segundo previsões do sector eléctrico. O Conselho de Electricidade da China indicou num relatório que o consumo de electricidade no país deverá crescer entre 5% e 6% este ano, impulsionado por uma expansão estável da economia e pelo desenvolvimento de novas infra-estruturas ligadas à inovação e modernização industrial. Segundo o documento, a soma da energia eólica e solar deverá atingir cerca de metade da capacidade total instalada até ao final de 2026.

 

JTM com Lusa