Membros da Comissão do Mercado Interno do Parlamento Europeu (PE) deslocam-se à China esta semana para conhecer melhor os sectores da tecnologia e comércio electrónico do país, e examinar o cumprimento das normas sobre as encomendas enviadas para a União Europeia (UE). Em comunicado, o PE descreveu a viagem, a primeira em oito anos, como “uma oportunidade importante” para abordar desafios comuns nos sectores digital e do comércio electrónico e para promover a concorrência leal entre a UE e a China.
A delegação espera transmitir a posição da UE sobre a regulamentação digital, a protecção do consumidor e a segurança dos produtos aos representantes chineses. “Uma das principais preocupações (dos eurodeputados) são as violações sistemáticas das normas europeias e o elevado volume de pequenas encomendas que as infringem, provenientes de plataformas não europeias, incluindo as chinesas”, explicaram.
Nove eurodeputados (três alemães, três franceses, um holandês, um polaco e um dinamarquês) iniciam amanhã a viagem em Pequim, com reuniões com Shen Chunyao, presidente da Comissão de Assuntos Legislativos do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, e Luo Wen, ministro da Administração Estatal para a Regulação do Mercado. Ainda na capital chinesa, vão reunir-se com a Câmara de Comércio da UE para conhecer os desafios de acesso ao mercado enfrentados pelas empresas da UE na China e com representantes dos gigantes do comércio digital Shein e Alibaba.
Em Xangai, terão encontros com representantes da Temu para discutir o cumprimento das normas europeias sobre mercados digitais e concorrência leal e visitarão o Aeroporto de Pudong com funcionários alfandegários chineses e uma empresa de logística local para observar o funcionamento das actividades alfandegárias e de importação/exportação.
Esta visita representa mais um passo na normalização das relações entre a China e o Parlamento Europeu, depois de ambas as partes terem acordado suspender, em 2025, as sanções impostas uma à outra em 2021.
A China é o terceiro maior parceiro comercial da UE, mas a relação económica é assimétrica devido ao desequilíbrio na abertura dos respectivos mercados, segundo o Parlamento Europeu. A UE registou um défice comercial de 305,8 mil milhões de euros com a China em 2024, valor que continua a crescer no meio de um aumento das importações de pequenos pacotes de plataformas como Temu, Shein e Alibaba, atingindo 4,6 mil milhões de euros só em 2024, dos quais 91% originários da China.
Na sexta-feira, a Comissão Europeia informou que o comissário para o comércio, Maroš Šefčovič, expressou preocupações sobre o aumento das exportações chinesas ao homólogo chinês, Wang Wentao, à margem da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) nos Camarões. Segundo fontes da UE, Šefčovič instou Pequim a “resolver os problemas na sua origem” e a apoiar “o necessário e há muito esperado reajustamento das relações comerciais bilaterais”. Acrescentaram ainda que o comissário pediu a Wang que apoiasse uma OMC reforçada com disciplinas mais rigorosas contra práticas distorcidas, e que os dois também discutiram o controlo das exportações chinesas. Šefčovič sublinhou igualmente a necessidade de agilizar a emissão de licenças para as empresas da UE, que considerou “essenciais para a previsibilidade e estabilidade dos sectores industriais europeus”.
JTM com agências internacionais



