O Irão apresentou aos EUA uma proposta de 14 pontos para terminar definitivamente a guerra, com foco no levantamento do bloqueio naval, nas garantias de não agressão, na retirada das forças americanas e no alívio das sanções, segundo os meios de comunicação iranianos.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, assegurou que irá analisar, em breve, a nova proposta do Irão, submetida através do Paquistão, país mediador nas negociações, mas questionou a sua viabilidade. “Não consigo imaginar que seja aceitável, visto que ainda não pagaram um preço suficientemente alto pelo que fizeram à Humanidade e ao mundo nos últimos 47 anos”, declarou numa publicação na sua plataforma, “Truth Social”.
Segundo a agência de notícias iraniana Tasnim, o principal foco da proposta é terminar formalmente o conflito e rejeitar a oferta americana de prolongar por dois meses o cessar-fogo actual, em vigor desde 8 de Abril e prorrogado indefinidamente. Teerão propõe a resolução de todas as questões relacionadas com a guerra, que começou a 28 de Fevereiro e foi suspensa após uma trégua inicial de duas semanas, num prazo de 30 dias.
Outro ponto crucial é o levantamento do bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos e navios iranianos desde 13 de Abril. Segundo o Comando Central dos EUA, Washington interceptou 45 embarcações iranianas que tentavam contornar o bloqueio marítimo desde então. A proposta delineia ainda uma nova estrutura de gestão para o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa 20% do crude mundial. O Irão mantém o controlo operacional da passagem desde os primeiros dias da guerra, restringindo o trânsito de petroleiros e elevando o preço do petróleo acima dos 110 dólares por barril.
Este novo mecanismo pode estar ligado a uma lei em debate no Parlamento iraniano, que impediria a passagem de navios de países inimigos, a não ser que paguem reparações de guerra. As autoridades iranianas discutiram também a imposição de portagens ao tráfego marítimo nesta rota.
A República Islâmica exige garantias verificáveis de que os EUA e Israel não lançarão novas acções militares contra o território iraniano, bem como a retirada de militares dos EUA destacados em países da região, o levantamento das sanções económicas, a libertação de bens congelados e uma compensação financeira pelos danos sofridos durante 39 dias de ataques aéreos israelitas e americanos. Segundo dados iranianos, a ofensiva fez mais de 3.400 mortos e destruiu casas, hospitais, escolas e instalações industriais.
O Irão insiste igualmente que o fim do conflito deve abranger todos os teatros de guerra, incluindo o Líbano, onde o Hezbollah, principal aliado regional de Teerão, está em confronto com Israel.
A agência Tasnim não menciona o programa nuclear iraniano no plano. Porém, órgãos de imprensa norte-americanos noticiaram que Teerão procura adiar estas negociações para uma segunda fase, após um acordo definitivo para o fim da guerra e da questão de Ormuz. O programa nuclear continua a ser o principal ponto de discórdia entre os dois lados, uma vez que Washington exige a suspensão do enriquecimento de urânio e a entrega de 440 quilogramas de urânio altamente enriquecido, o que o Irão rejeita.
Por sua vez, Teerão afirma que cabe agora aos EUA escolher entre a diplomacia e o confronto e declara estar preparado para ambos os caminhos “de forma a garantir os seus interesses e a sua segurança nacional”.
JTM com agências internacionais



