As negociações entre Teerão e Washington sobre o programa nuclear iraniano e a suspensão das sanções podem começar ainda esta semana, após a assinatura do acordo para acabar com a guerra no Médio Oriente, disse ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi.

A assinatura do memorando de entendimento está prevista para sexta-feira, dia em que o Estreito de Ormuz deverá ser “completamente” reaberto, segundo o Presidente dos EUA, Donald Trump. O memorando também prevê o início, no prazo de 60 dias, de novas negociações para abordar questões mais delicadas, como o programa nuclear do Irão e as sanções internacionais contra o país.

“Provavelmente na sexta-feira, num local que ainda será determinado, começará uma nova ronda de negociações entre Irão e EUA para alcançar um acordo final”, adiantou Araghchi.

A cerimónia, na Suíça, contará com as presenças do principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e do vice-presidente dos EUA, JD Vance, que admitiu que Trump também poderá comparecer. Segundo uma fonte do governo americano, Trump, Vance e Ghalibaf já assinaram o texto electronicamente.

Trump e JD Vance garantiram a reabertura de Ormuz, por onde antes da guerra circulava 20% do comércio global de petróleo e gás. Após o ataque dos EUA e de Israel que desencadeou a guerra, Teerã fechou a rota crucial. Em resposta, Washington impôs um bloqueio naval aos portos iranianos.

“Os navios, alguns carregados de petróleo, estão a começar a sair do Estreito de Ormuz”, comemorou Trump na segunda-feira na sua rede “Truth Social”.

O memorando de entendimento “é um documento muito poderoso e quero que seja publicado”, “provavelmente muito em breve”, disse Trump ao ser questionado sobre o conteúdo do acordo durante a cimeira do G7 na França. Na mesma ocasião, também afirmou que seu país não investirá na reconstrução do Irão e que o principal objectivo do acordo é garantir que Teerão não desenvolva armas nucleares.

Trump explicou ao jornal “The New York Times” que ainda está a negociar se o Irão suspenderá o enriquecimento de urânio por 20 anos, embora tenha dado a entender que poderia contentar-se com o prazo de 15 anos. EUA e Israel pressionam para que o Irão se desfaça das suas reservas de urânio altamente enriquecido, supostamente enterradas após ataques americanos em 2025. Teerão defende o direito de enriquecer urânio e reitera os fins pacíficos de seu programa nuclear.

 

Líbano, “parte inseparável” do acordo

No Irão, o Exército celebrou o acordo como uma vitória que “humilhou” os EUA e Israel. O Presidente, Masoud Pezeshkian, descreveu-o como “uma grande conquista” para a região.

No entanto, analistas alertam que o conflito paralelo no Líbano entre Israel e o Hezbollah, partido-milícia apoiado por Teerão, pode provocar complicações ao acordo. O país foi arrastado para a guerra regional quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel para vingar o assassinato do líder supremo iraniano, o aiatola Ali Khamenei. Israel respondeu com bombardeamentos e uma invasão terrestre.

O Primeiro-Ministro, Benjamin Netanyahu, garantiu que as forças israelitas permanecerão em Gaza, no Líbano e na Síria “pelo tempo que for necessário”.

Por sua vez, o MNE iraniano insistiu que encerrar a guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, é “a questão mais importante” do acordo. “Acabar com a guerra no Líbano é parte inseparável do fim completo da guerra”, disse Araghchi.

 

JTM com agências internacionais