O fundador do CDS e ex-ministro Freitas do Amaral morreu ontem aos 78 anos. O Governo decretará luto nacional no dia do funeral
O Presidente da República Portuguesa manifestou ontem profundo pesar pela morte de Diogo Pinto Freitas do Amaral, que recordou como um dos “pais fundadores” do sistema político-democrático português. “O Presidente da República, que, além do mais, perdeu um grande amigo pessoal de meio século, apresenta à sua Família a expressão de grande saudade, mas, sobretudo, da gratidão nacional para o que foi o papel histórico de ter sido aquele dos Pais Fundadores a integrar a direita conservadora portuguesa na Democracia constitucionalizada em 1976”, lê-se numa nota publicada no “site da Presidência.
Na mesma nota, Marcelo Rebelo de Sousa sustentou que a “Diogo Freitas do Amaral deve a “democracia portuguesa o ter conquistado para a direita um espaço de existência próprio no regime político nascente, apesar das suas tantas vezes afirmadas convicções centristas”.
O fundador do CDS e ex-ministro faleceu ontem, aos 78 anos, disse à agência Lusa fonte da família. Freitas do Amaral, professor universitário, nasceu na Póvoa de Varzim em 21 de Julho de 1941. Foi líder do CDS, partido que ajudou a fundar em 19 de Julho de 1974, vice-primeiro-ministro e ministro em vários governos.
O Primeiro-Ministro lamentou igualmente a morte do primeiro líder do CDS. “Acabou de falecer um dos fundadores do nosso regime democrático. À memória do professor Freitas do Amaral, ilustre académico e distinto Estadista, curvamo-nos em sua homenagem. Apresentamos à sua família, amigos e admiradores as nossas sentidas condolências”, referiu o gabinete de António Costa.
Na mesma nota, adianta-se que “o Governo decretará luto nacional coincidente com o dia do funeral, o que será acertado nas próximas horas e de acordo com a indicação da sua família”.
A título pessoal, e como seu antigo colega de Governo, António Costa salienta que não pode deixar de recordar o muito que aprendeu “com o seu saber jurídico, a sua experiência e lucidez política e o seu elevado sentido de Estado e cultura democrática, que sempre praticou”.
A notícia da morte de Freitas do Amaral foi recebida pelo CDS durante um almoço de campanha para as legislativas em Barcelos, tendo a líder centrista pedido aos militantes que cumprissem um minuto de silêncio. Assunção Cristas evocou o passado de Freitas do Amaral, como fundador, e “a coragem” necessária para defender as ideias do partido no período pós-25 de Abril de 1974. “Enquanto presidente do CDS, só posso estar grata por esse trabalho, por essa coragem, tantas vezes debaixo da ameaça, tantas vezes debaixo de fogo”, disse.
A presidente centrista admitiu que houve momentos em que Freitas “se afastou mais do pensamento do CDS”, como quando foi ministro num governo do PS. “Mas isso não nos pode deixar esquecer que na base do partido esteve a coragem de Diogo Freitas do Amaram e muitos que com ele, como Adelino Amaro da Costa, ousaram criar um partido que é fundador da nossa democracia”, concluiu.
JTM com Lusa



