O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse à candidata guianense a secretária-geral das Nações Unidas, Carolyn Rodrigues-Birkett, que “a ONU não é perfeita, mas sem ela o mundo seria apenas pior”, durante uma reunião realizada em Pequim, noticiou a agência EFE.
Wang fez estas declarações num encontro com a representante permanente da Guiana junto da ONU, no qual ambos abordaram o futuro da organização e o processo para eleger o sucessor de António Guterres à frente da Secretaria-Geral das Nações Unidas, de acordo com um comunicado publicado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.
O diplomata chinês indicou que o sistema internacional com a ONU como eixo se encontra submetido a “desafios” e assegurou que a comunidade internacional espera que a próxima pessoa à frente do organismo possa “enfrentar as dificuldades actuais”.
Wang asseverou que o próximo secretário-geral deverá desempenhar o papel que corresponde às Nações Unidas “a favor da paz e do desenvolvimento”, ao mesmo tempo que defendeu a autoridade da organização e o sistema internacional articulado em torno dela.
O ministro afirmou ainda que o multilateralismo constitui uma “garantia para os países pequenos e médios”, e que a China participará no processo de eleição com uma atitude “responsável e construtiva”.
Pequim apoiará, conforme a Carta das Nações Unidas, uma pessoa que respeite os seus princípios, “tenha capacidade”, “actue com imparcialidade” e “assuma as suas responsabilidades”, acrescentou Wang.
Por seu lado, Rodrigues-Birkett declarou que o multilateralismo não é uma opção, mas sim uma “necessidade” perante “a expansão dos conflitos, a crise climática e os atrasos em matéria de desenvolvimento”, segundo o comunicado.
A candidata defendeu também uma reforma que permita às Nações Unidas agir com “maior flexibilidade e eficácia”, reforçar a equidade e colocar o desenvolvimento sustentável no centro da agenda internacional.
A diplomata guianense, embaixadora junto da ONU desde 2020 e ministra dos Negócios Estrangeiros do seu país entre 2008 e 2015, é uma dos seis aspirantes a suceder a Guterres, cujo mandato termina a 31 de Dezembro.
O Conselho de Segurança prevê formular as considerações sobre as candidaturas entre 24 e 30 de Julho, enquanto a pessoa eleita assumirá o cargo a 1 de Janeiro de 2027.
Muitas vozes dentro do organismo pedem que a próxima pessoa à frente da ONU seja uma mulher, dado que até agora o cargo sempre foi ocupado por homens, e que seja da América Latina e das Caraíbas para cumprir a rotação regional.
Além de Rodrigues-Birkett, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, a actual secretária-geral da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a costa-riquenha Rebeca Grynspan, e a diplomata equatoriana María Fernanda Espinosa cumprem ambos os requisitos.



