As acções dos manifestantes pró-democracia intensificaram-se ontem, com o objectivo de paralisar completamente Hong Kong, palco nos últimos dias dos mais graves distúrbios e actos de vandalismo registados até agora. Estudantes do Continente começaram a sair de Hong Kong num dia marcado pela suspensão das aulas

 

Até agora, as manifestações aconteciam normalmente à noite ou no fim-de-semana, afectando menos a vida da população de Hong Kong. Porém, após 24 semanas de mobilização, os manifestantes decidiram abrir uma nova fase que, segundo a polícia, pode deixar o território “à beira do colapso”.

Segundo a agência AFP, os manifestantes estão a ampliar as convocações nas redes sociais e a visar diversos bairros da cidade para perturbar ao máximo o quotidiano e pôr a polícia à prova. Ontem, pelo terceiro dia seguido, a maioria das linhas do Metro – que transporta diariamente mais de metade dos 7,5 milhões de habitantes da RAEHK – estava fechada devido a actos de vandalismo.

Vários centros comerciais e escolas também permaneceram encerrados numa cidade cujos cruzamentos e vias ficaram entulhados com paralelepípedos, pedras, restos de bicicletas e outros objectos, abandonados pelas ruas para perturbar a circulação. O Departamento de Educação de Hong Kong disse inicialmente que os pais podiam optar por manter os filhos em casa, mas acabou por suspender as aulas nas escolas primárias e secundárias. Pelo menos 11 instituições de ensino superior adoptaram a mesma medida, incluindo a Universidade Chinesa de Hong Kong (CUHK) e a Universidade de Hong Kong.

A actividade no Conselho Legislativo foi igualmente suspensa e a segurança reforçada na cidade e nos campus universitários. Durante a manhã, manifestantes construíram barreiras improvisadas e colocaram tijolos nas estradas um pouco por toda a cidade e nalgumas universidades, sendo que na CUHK mais de 80 alunos do Continente foram retirados dos campus devido a confrontos. Alguns estudantes que aderiram aos protestos foram vistos armados com bombas de gasolina, arcos e flechas.

Muitos estudantes do Continente começaram, inclusive, a sair da cidade. Na Universidade de Hong Kong tentaram deixar ontem o campus, mas não conseguiram devido ao bloqueio das estradas. A polícia acabou por levá-los para “um local seguro de barco”, informaram as forças de segurança.

Segundo o “Beijing Evening News”, estudantes do Continente dizem que os seus dormitórios foram invadidos e pintados insultos nas paredes.

 

Apelos de Bruxelas e Taipé

A União Europeia instou todas as partes envolvidas nos confrontos em Hong Kong a “mostrarem contenção” e apelou a uma “solução credível e rápida” para a crise. “É crucial que todas as partes tenham contenção”, disse a porta-voz da União Europeia, Maja Kocijancic, citada pela AFP.

Por sua vez, a Presidente de Taiwan apelou “à comunidade internacional e às pessoas que acreditam no valor da democracia livre que tomem uma posição e se importem com a situação de Hong Kong”. Através do Facebook, Tsai Ing-wen instou ainda as autoridades da RAEHK a darem “um passo atrás”.

“Não usem o sangue dos jovens de Hong Kong para lavar a cara perante as autoridades de Pequim”, apontou. “A polícia serve para proteger o povo, e o Governo para servir o povo. Quando a polícia não protege mais o povo e o Governo não pensa mais no povo, um Governo desses certamente vai perder a confiança do povo”, afirmou.

 

JTM com Lusa e agências internacionais