Explorar um mecanismo de intercâmbio cultural e aprendizagem mútua de civilizações entre a China e os países lusófonos foi o objectivo central de um fórum realizado na sexta-feira no território, numa iniciativa co-patrocinada pela Academia Chinesa de História, Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros na RAEM, Gabinete de Ligação do Governo Central, Fundação Macau e Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM).

De acordo com a agência Xinhua, na abertura do evento, Liu Xianfa, Comissário do MNE, “enfatizou os esforços para explorar as semelhanças culturais entre a China e os países lusófonos, mobilizar várias forças para formar uma ampla sinergia e apoiar e auxiliar activamente o Governo da RAEM e vários sectores da sociedade na expansão dos intercâmbios e da cooperação estrangeiros”. Atendendo ao conteúdo das Linhas de Acção Governativa para 2024, apresentadas pelo Chefe do Executivo na semana passada, Liu Xianfa mostrou-se convicto de que Macau desempenhará um papel cada vez mais crucial no estreitamento dos laços entre a China e os países de Língua Portuguesa.

Na mesma linha, Gao Xiang, presidente da Academia Chinesa de Ciências Sociais e da Academia Chinesa de História, descreveu o fórum como uma forma de “ajudar a alavancar o papel de Macau como ponte e plataforma para intercâmbios culturais e aprendizagem mútua entre a China e os países lusófonos”. Gao prometeu trabalhar com instituições académicas e grupos de reflexão do mundo lusófono para implementar activamente a “Iniciativa de Civilização Global” e contribuir para consolidar a “amizade tradicional” entre os dois lados.

As mesmas ideias foram igualmente sublinhadas por Yan Zhichan, vice-directora do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, e Joseph Hun-wei Lee, presidente da UCTM, instituição anfitriã do fórum que decorreu até ontem. Perante mais de 240 convidados, cerca de 20 académicos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, China Continental e da RAEM discutiram temas relacionados com a Iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e a cooperação entre a China e países como o Brasil, Angola e Cabo Verde.

 

Mandarim já é uma “necessidade” no Brasil

Numa sessão do fórum, o director do Instituto Confúcio da Universidade Estadual Paulista (Unesp) defendeu que “aprender chinês deixou de ser uma curiosidade e passou a ser uma necessidade para quem quer ter sucesso no mundo do futuro, sobretudo para os brasileiros”.

Luis António Paulino lembrou que a China é, desde 2009, o principal parceiro comercial brasileiro e o Brasil é o maior parceiro comercial da China na América Latina. Segundo o académico, os crescentes laços bilaterais têm levado a que cada vez mais brasileiros se interessem pela língua chinesa, sendo que o Instituto Confúcio da Unesp, criado em 2008, já ensinou mandarim a 28 mil estudantes.

Paralelamente, os jovens chineses também têm demonstrado maior interesse pelo Brasil. “Na última década tem-se sentido uma febre de português na China e febre de chinês nos países de língua portuguesa”, disse o director da Academia Chinesa de História, citado pela agência Lusa.

Gao Xiang sublinhou que “mais de 60 universidades chinesas” têm licenciaturas em áreas como língua e cultura portuguesas e tradução português-chinês, ao mesmo tempo que existem delegações do Instituto Confúcio em oito países lusófonos.