O líder da junta militar de Myanmar demitiu-se ontem do cargo de chefe do exército e está prestes a tornar-se presidente do país após ter sido nomeado candidato pela câmara baixa do parlamento, segundo a imprensa local. Min Aung Hlaing, que liderou o golpe militar de Fevereiro de 2021, é considerado o favorito contra outros dois candidatos numa votação marcada para hoje, de acordo com o site de notícias da oposição “The Irrawaddy”.
O cargo de comandante-chefe do exército passou a ser ocupado pelo general Ye Win Oo, antigo chefe dos serviços de informação militar, tido como próximo de Min.
O processo faz parte dos esforços do regime para iniciar uma transição política após a realização de eleições em Dezembro sem qualquer oposição real, cinco anos depois de um golpe que pôs fim ao caminho democrático de Myanmar e exacerbou o conflito civil que assola o país há décadas.
A Constituição birmanesa, aprovada em 2008 por uma antiga junta militar, estipula que cada uma das duas câmaras do Parlamento e o bloco militar no legislativo têm o poder de indicar um candidato à presidência. O candidato com o maior número de votos na eleição bicamaral assumirá a presidência, e os outros dois ocuparão os cargos de primeiro e segundo vice-presidentes.
Entre 28 de Dezembro e 25 de Janeiro, o regime militar organizou uma série de eleições faseadas, nas quais saiu vitorioso o Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento, ligado aos militares. As eleições, realizadas sem oposição real – com a Liga Nacional para a Democracia da laureada com o Prémio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, ex-líder banida e presa desde o golpe – foram denunciadas como fraudulentas por grupos da oposição, ONG e pela maior parte da comunidade internacional.
JTM com agências internacionais



