A China manifestou ontem “séria preocupação” após a decisão de Tóquio de permitir a exportação de armas letais, uma mudança em relação à política pacifista do país no pós-guerra. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Guo Jiakun, disse que as recentes decisões de segurança do Japão “expuseram a contradição” com a sua autodefinição como país pacífico limitado à defesa.
Guo vincou que a comunidade internacional “continuará altamente vigilante” ao que descreveu como aceleração da militarização japonesa e sublinhou que a China se opõe “firmemente” a este processo. Instou ainda Tóquio a considerar o seu passado histórico e a agir com prudência para evitar criar inquietação entre os países vizinhos, lembrando que, após a Segunda Guerra Mundial, o Japão adoptou restrições rigorosas ao desenvolvimento militar e à exportação de armas.
O Governo japonês aprovou ontem a flexibilização das normas de exportação de equipamento de defesa, o que permitirá ao país vender armas para o estrangeiro pela primeira vez. Esta medida visa reforçar a cooperação em matéria de segurança no meio de conflitos como os do Irão e da Ucrânia.
A Primeira-Ministra japonesa sustentou que “num ambiente de segurança cada vez mais complexo, nenhum país pode proteger a sua paz e segurança sozinho”, sendo necessário que “os países parceiros se apoiem mutuamente em questões de defesa”. “Atender a estas necessidades e transferir equipamento de defesa contribuirá para melhorar as capacidades de defesa destes países e, em última instância, para prevenir conflitos, garantindo assim a segurança do Japão”, declarou numa mensagem publicada na rede social X.
Sanae Takaichi referiu ainda a possibilidade de troca de peças ou armas entre os países parceiros, “reforçando a cooperação mútua”, com aqueles que “se comprometem a usar o equipamento de acordo com a Carta da ONU”.
Os rigorosos controlos de exportação de equipamento militar limitavam a venda de artigos de defesa a cinco categorias: resgate, transporte, alerta, vigilância e desminagem. Agora, incluem uma cláusula que permite a exportação de armas para países em conflito, caso as autoridades considerem que existem “circunstâncias especiais”.
Apesar disso, Takaichi afirmou que o “compromisso” do Japão em manter o seu percurso como nação pacífica desde a Segunda Guerra Mundial, há mais de 80 anos, “permanece inalterado”.
A mudança, parte da revisão de 2022 da estratégia de segurança nacional, gerou debates sobre o significado da venda de armamento letal a um país governado por uma constituição pacifista.
Com o plano de segurança nacional, as autoridades delinearam uma mudança sem precedentes nas políticas de defesa do Japão, defendendo o reforço das capacidades de contra-ataque do país através do aumento das despesas militares e da aquisição de armamento como mísseis de cruzeiro e hipersónicos.
Tóquio protagonizou episódios recentes de tensão com a China depois de Takaichi ter sugerido que o Japão país poderia intervir em caso de um ataque chinês a Taiwan.
JTM com agências internacionais



