O Irão aumentou ontem o tom das ameaças face à operação dos EUA para escoltar navios no Estreito de Ormuz, um dia após vários ataques na região que colocaram o cessar-fogo em perigo. “A continuidade do status quo é intolerável para os EUA, enquanto nós ainda nem começamos”, advertiu Mohamad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano, numa mensagem na rede social X.
“A segurança do transporte marítimo e do trânsito energético foi ameaçada pelos EUA, cuja presença maligna diminuirá”, acrescentou Ghalibaf, que também é presidente do Parlamento.
A 8 de Abril, coincidindo com o início da trégua com o Irão, as forças dos EUA implementaram um bloqueio aos portos iranianos. Na segunda-feira, iniciaram a operação “Projecto Liberdade” para permitir que os navios bloqueados há semanas consigam atravessar o estreito.
Segundo várias empresas especializadas, mais de 900 navios estavam no Golfo Pérsico no fim de Abril, com quase 20 mil marinheiros.
Nas últimas horas, o Irão respondeu à operação de Washington com lançamentos de mísseis e drones contra navios militares americanos na região, que foram interceptados, segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM). A Coreia do Sul relatou uma “explosão” seguida de um incêndio num navio do país em Ormuz.
Apesar dos desmentidos iranianos, o CENTCOM assegurou que dois navios mercantes com bandeira dos EUA, escoltados pelas forças americanas, atravessaram “com sucesso” o Estreito de Ormuz na segunda-feira. “Está a ir muito bem”, celebrou o Presidente Donald Trump.
A empresa dinamarquesa Maersk anunciou que um dos seus navios, que transportava veículos e estava bloqueado na região desde Fevereiro, conseguiu atravessar o estreito na segunda-feira “acompanhado por meios militares americanos”.
As forças militares americanas informaram que destruíram seis embarcações iranianas “que ameaçavam a navegação comercial”. Porém, Teerão negou qualquer dano nos seus navios e acusou Washington de matar cinco civis em ataques contra duas embarcações que partiram de Omã com destino à costa iraniana.
Os ataques também acontecem em terra. Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que foram visados por mísseis de cruzeiro “lançados a partir do Irão” e avisaram que se reservam o direito de responder.
JTM com agências internacionais



