O Irão não cede à pressão económica e militar do Presidente norte-americano insistindo em manter o controlo do Estreito de Ormuz e ser compensado pelos danos causados pela guerra, entre outras exigências.

O impasse mantém-se nas negociações indirectas através do Paquistão, com a troca de propostas de paz que, para já, não parecem estar a conduzir a qualquer acordo. Teerão classificou ontem a última proposta dos EUA como “unilateral e irracional”.

O conteúdo da proposta dos EUA é desconhecido, mas parte da contraproposta iraniana foi divulgada: reconhecimento da sua soberania sobre o Estreito de Ormuz, pagamento de compensações financeiras, libertação de bens congelados, suspensão das sanções e o fim do conflito no Líbano.

“A proposta do Irão aos EUA não é uma exigência excessiva”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Bagaei, numa conferência de imprensa. Bagaei descreveu, aliás, a proposta iraniana como “generosa e responsável”.

A televisão estatal foi menos diplomática, declarando que Teerão rejeitou a oferta dos EUA, devido às “exigências excessivas de Trump”.

Nas últimas semanas, o Irão tem insistido em procurar um acordo gradual, com a primeira fase focada numa declaração de paz e no fim do bloqueio mútuo do Estreito de Ormuz, deixando as discussões sobre o programa nuclear iraniano para mais tarde – algo que não parece convencer Washington.

A resposta de Donald Trump à proposta iraniana foi de clara rejeição. “Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irão. Não gostei, totalmente inaceitável!”, escreveu na sua conta na rede social Truth Social.

Trump ameaçou na sexta-feira reactivar a Operação Projecto Liberdade para escoltar os navios presos no Estreito de Ormuz pelas restrições impostas pela República Islâmica. Colocou ainda a possibilidade de retomar os bombardeamentos ao país persa e terminar a trégua iniciada a 8 de Abril.

Mas estas ameaças não parecem surtir efeito na liderança iraniana, tal como o bloqueio americano aos seus portos e navios, que prejudica o seu comércio e, principalmente, as exportações de petróleo, a sua principal fonte de rendimentos.

“A resposta do regime iraniano reflecte a mentalidade dos líderes que acreditam ter sobrevivido à guerra e ganho, não que a tenham perdido”, considerou Danny Citrinowicz, investigador do Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS). “Consequentemente, as suas exigências continuam elevadas e a vontade de negociar é extremamente limitada”, acrescentou.

O especialista considerou improvável que Teerão ceda a pressões, nem sequer a ameaças ou ao uso da força, por mais que esta realidade “frustre” Trump, que parece não estar disposto a aceitar esta ideia.

 

JTM com agências internacionais