O Irão apresentou aos EUA uma nova proposta para reabrir o estreito de Ormuz e pôr fim à guerra, remetendo para mais tarde as negociações sobre o programa nuclear de Teerão, adiantou o portal Axios. Citando um responsável norte-americano e outras duas fontes não identificadas com conhecimento do assunto, o jornal digital indicou que Trump previa analisar ontem com a sua equipa o actual impasse nas negociações e os possíveis passos a seguir.
A iniciativa surge em plena escalada de tensão, com o Comando Central norte-americano a confirmar que já impediu a passagem de 38 embarcações na zona, por ordem do Presidente dos EUA, Donald Trump. Apesar do cessar-fogo, Trump determinou a manutenção do bloqueio naval, medida que, segundo o Departamento do Tesouro, está a afectar 90% do comércio marítimo iraniano. O objectivo da Casa Branca é aumentar a pressão sobre Teerão, estrangulando as suas exportações de petróleo e reduzindo as fontes de financiamento.
Trump afirmou no domingo que não tem pressa em alcançar um novo acordo, sublinhando que a sua estratégia de “pressão máxima” está a asfixiar a economia iraniana e já “dizimou” a sua capacidade operacional.
A primeira ronda de negociações entre Washington e Teerão decorreu em Islamabad a 11 de Abril, tendo o Paquistão como mediador, mas acabou por fracassar. A segunda ronda, prevista para o último fim-de-semana, não se concretizou, depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abás Araqchí, ter abandonado o Paquistão sem intenção de dialogar com os enviados de Trump.
Araqchí apresentou em Islamabad um plano para contornar a questão nuclear, propondo que o cessar-fogo se prolongue ou que ambas as partes acordem o fim definitivo da guerra, deixando as negociações nucleares para mais tarde, após a reabertura do estreito e o levantamento do bloqueio. No entanto, fontes diplomáticas indicam que a liderança iraniana não tem consenso sobre como responder às exigências americanas para suspender o enriquecimento de urânio durante uma década e retirar o urânio enriquecido do país.
JTM com Lusa



