Irão e EUA concordaram ontem em criar linhas de comunicação para manter o Estreito de Ormuz aberto e deter os combates no Líbano, após as primeiras conversações na Suíça para acabar com a guerra no Médio Oriente. Os países mediadores, Paquistão e Qatar, destacaram a “atmosfera positiva e construtiva” das reuniões entre as delegações lideradas pelo Vice-Presidente americano, JD Vance, e pelo Presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.

As partes definiram “um mapa do caminho para alcançar um acordo final em 60 dias, estabelecendo as bases para o início imediato de novas conversações técnicas”, afirma um comunicado divulgado pelos mediadores. “Alcançámos avanços promissores, incluindo a criação de um mecanismo para futuras conversações técnicas”, acrescenta, mencionando um canal de contactos para “evitar incidentes e falhas de comunicação” no Estreito de Ormuz.

JD Vance classificou o encontro como “histórico”, com “progressos muito bons”, e expressou a esperança de “virar a página e transformar” a relação dos EUA com o povo iraniano. Acompanhado pelos negociadores Steve Witkoff e Jared Kushner, Vance destacou que “a pergunta que enfrentamos é: quanto mais podemos conseguir juntos?”.

A delegação iraniana regressou a Teerão, “após 18 horas de discussões intensas”, informou a agência de notícias Irna. Na capital do Irão, o porta-voz da diplomacia do país, Esmaeil Baqaei, declarou que na Suíça “ocorreu um diálogo muito breve sobre a questão nuclear”, mas insistiu que não foram “negociações” sobre o tema.

Por sua vez, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suíça anunciou que, após o “avanço construtivo” das negociações, estão criadas “as condições para a retomada imediata de novas discussões técnicas”.

Também foi criado um grupo de gestão do conflito no Líbano, onde Israel enfrenta o movimento pró-iraniano Hezbollah. O Líbano foi arrastado para o conflito quando o Hezbollah atacou Israel a 2 de Março como resposta à guerra no Irão. Os ataques contínuos no Líbano ameaçaram as negociações, depois de o Irão ter admitido voltar a bloquear o Estreito de Ormuz.

“A incansável mediação paquistanesa e qatari possibilitou grandes avanços para acabar com a guerra no Líbano”, disse no X o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, após o encontro na Suíça, onde equipas técnicas dos países prosseguirão com as conversações por mais alguns dias. “As exportações de petróleo e petroquímicos ficam isentas, o bloqueio é suspenso, alguns activos congelados são libertados e começa um importante plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irão”, acrescentou Abbas Araghchi ao comentar os acordos.

O diplomata ressalvou, no entanto, que o primeiro “teste real” será o fim do conflito no Líbano.

As negociações num hotel de luxo na região montanhosa de Burgenstock começaram de forma titubeante, quando a delegação iraniana se retirou em resposta à ameaça de Donald Trump de atacar o Irão pelo seu apoio ao Hezbollah. “Seria melhor que medissem as suas palavras. As nossas Forças Armadas estão preparadas para responder de outra maneira”, advertiu Ghalibaf.

 

JTM com agências internacionais