O Qatar confirmou ontem o início das negociações entre o Irão e os EUA, com a presença de mediadores qataris e paquistaneses, em Bürgenstock, na Suíça. As conversações na “Cimeira do Lago Lucerna” visam abordar a implementação do memorando de 14 pontos assinado pelas partes em conflito, com o objectivo de pôr fim ao conflito.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) do Qatar assumiu a “esperança” de que estas reuniões “levem a um acordo abrangente e duradouro que aborde todos os aspectos contemplados no memorando de entendimento”. Segundo o porta-voz do MNE do país do Golfo, Majed al-Ansari, “foram formados grupos técnicos e tecnológicos especializados para negociar os termos do acordo final”.
“Além disso, foram estabelecidos grupos de monitorização para supervisionar a implementação do memorando e acompanhar o progresso no sentido da conclusão do acordo final”, acrescentou, sublinhando que “isto reflecte o compromisso de todas as partes em prosseguir o processo de negociação de boa-fé”.
As delegações de Washington e Teerão presentes na estância de montanha de Bürgenstock são lideradas pelo vice-presidente norte-americano JD Vance e pelo negociador-chefe iraniano Mohammad Bagher Qalibaf. Qatar e Paquistão estão representados pelos Primeiros-Ministros, Mohammed bin Abdulrahman e Shebaz Shari, respectivamente.
O porta-voz do Qatar afirmou que o seu país, “como um dos mediadores, continuará a trabalhar com a República Islâmica do Paquistão e todas as partes envolvidas para criar um ambiente positivo que permita às negociações atingir os seus objectivos, com base na firme convicção de que o diálogo e a diplomacia representam a melhor forma de abordar conflitos e resolver disputas”. Neste contexto, enfatizou o apoio de outros países que assessoram a mediação, aludindo sobretudo ao chamado Quarteto, composto pela Arábia Saudita, Turquia e Egipto, juntamente com o Paquistão, cujos ministros dos Negócios Estrangeiros se reuniram ontem no Cairo, antes das negociações na Suíça.
O memorando de entendimento prevê um prazo de 60 dias para um acordo final focado no programa nuclear iraniano e no levantamento das sanções contra a economia do país. Teerão tem vindo a alertar Washington que o protocolo estará “em risco” se suas cláusulas não forem aplicadas rapidamente, referindo-se à situação no Líbano.
Os primeiros dias de vigência do memorando foram marcados pela persistência dos ataques de Israel no Líbano contra alegadas posições do grupo pró-iraniano Hezbollah – e pelo subsequente anúncio das forças iranianas de que tinham fechado o Estreito de Ormuz. O Comando Central dos EUA contestou a alegação de Teerão sobre o fecho do estreito e afirmou que continua a monitorizar a situação para garantir a fluidez do tráfego.
O próprio Vance afirmou que milhões de barris de petróleo passaram pelo estreito nos últimos dias.
JTM com agências internacionais



