Donald Trump afirmou ontem, perto da hora do fecho desta edição, que os EUA iriam atacar o Irão “com muita força esta noite”, ameaçando numa publicação nas redes sociais “assumir o controlo total” das indústrias iranianas de petróleo e gás, incluindo a importante Ilha de Kharg, num “futuro não muito distante”.

Horas antes, o Irão advertiu que a frágil trégua no Médio Oriente deixou de ser eficaz e decretou o fecho total do estreito de Ormuz após vários ataques dos EUA.

Em vigor desde 8 de Abril, o cessar-fogo era respeitado em grande medida até à semana passada, apesar das declarações ameaçadoras das partes. Porém, desde domingo a situação ficou mais tensa, primeiro com uma crise entre Irão e Israel e depois com ataques entre a República Islâmica e os EUA, que foram retomados na noite de terça-feira e prosseguiram ontem.

“É difícil permanecer optimista”, admitiu Tahir Andrab, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) do Paquistão, país que actua como mediador entre Washington e Teerão, voltando a apelar à diplomacia e ao diálogo.

Uma delegação do Qatar deixou Teerão nesta quinta-feira, após uma visita que pretendia avançar com a via diplomática, que actualmente parece estagnada. Países como China, Rússia e Arábia Saudita pediram nas últimas horas um regresso urgente à mesa de negociações.

“Os ataques ilegais e criminosos perpetrados pelos EUA nas últimas horas não apenas constituem uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas”, como “também tornam a trégua algo praticamente sem sentido”, afirmou o MNE do Irão num comunicado.

Pouco depois, a nova agência iraniana responsável por supervisionar o Estreito de Ormuz confirmou que o tráfego por essa via está completamente bloqueado “até nova ordem”, como a Guarda Revolucionária havia ameaçado na véspera. Desde 28 de Fevereiro, quando os ataques israelitas e americanos desencadearam a guerra, o Irão restringe em grande medida a navegação por esta via crucial para o comércio de combustíveis – mas até ontem permitia a passagem de quase 20 navios por dia.

Na noite de quarta-feira, o Exército dos EUA anunciou ataques contra “centros de vigilância militar iranianos, sistemas de comunicação e instalações de defesa aérea em todo o país”. Três pessoas ficaram feridas, informou a imprensa iraniana, que relatou explosões na ilha de Qeshm, em Minab, Sirik e no porto de Bandar Abbas, no sul.

O Irão respondeu com o lançamento de quase 20 mísseis contra uma base americana na Jordânia, todos interceptados, e com novos ataques contra os seus vizinhos do Golfo, aliados de Washington. No Bahrein, uma menina ficou ferida ao ser atingida pelos destroços de um drone. O Kuwait teve de fechar o seu espaço aéreo por alguns minutos devido ao lançamento de projécteis iranianos.

A tensão aumentou consideravelmente na terça-feira, após um novo anúncio de acordo iminente por parte de Trump, que fez promessas similares 38 vezes desde o início da guerra, segundo uma contagem da CNN.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, acusou o Irão de “brincar ao gato e rato” nas negociações. “Se tivermos de negociar à base de bombas, vamos negociar com bombas, e somos muito bons nisso”, ameaçou.

Por sua vez, a Guarda Revolucionária, o poderoso exército ideológico do Irão, advertiu que atacaria qualquer navio que tentasse cruzar o Estreito de Ormuz. Pouco depois, a Marinha iraniana anunciou ataques contra “dois navios” que tentavam atravessar Ormuz “ilegalmente”.

Na quarta-feira, um petroleiro foi atacado, desta vez por forças americanas que impõem um bloqueio naval ao Irão. Segundo o Exército dos EUA, o navio tentava romper o bloqueio para exportar petróleo procedente do Irão. Três marinheiros indianos morreram, segundo Nova Deli.

 

JTM com agências internacionais