O Irão lançou ontem mísseis e drones contra países vizinhos do Golfo e anunciou o fecho do Estreito de Ormuz após novos ataques dos EUA em resposta a disparos iranianos contra um navio, um novo agravamento do conflito que deixa a trégua ainda mais distante. Face à actual situação, o chefe da diplomacia do Paquistão e mediador no conflito, Ishaq Dar, pediu às partes que demonstrem “contenção” para travar a escalada.

A tensão aumentou consideravelmente na região quando Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos relataram ataques aéreos contra os seus territórios. Além disso, explosões foram ouvidas no Qatar.

As autoridades de Doha confirmaram que interceptaram mísseis, enquanto Teerão indicou que atacou uma base aérea americana no emirado “em resposta aos ataques contínuos” dos EUA. A Guarda Revolucionária, exército ideológico iraniano, reivindicou um raro ataque contra Omã, ao anunciar que destruiu bases de apoio logístico aos porta-aviões americanos no porto de Duqm, segundo a agência Irib. A ofensiva foi condenada “com máxima firmeza” pelo governo de Omã, segundo a agência oficial de notícias ONA.

A Jordânia também informou ter sido alvo de três mísseis iranianos que não provocaram danos.

Algumas horas antes, o Irão anunciou um ataque contra um navio em Ormuz que “tentou seguir uma rota não autorizada”. “Um navio que havia colocado em risco a segurança marítima ao desactivar os seus sistemas foi atingido por disparos de advertência e interceptado”, informou a Guarda Revolucionária.

Segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, o ataque aconteceu 17 quilómetros ao leste da península de Musandam, em Omã, e provocou um incêndio a bordo, o que levou a tripulação a abandonar a embarcação num bote salva-vidas. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia informou que 11 indianos estavam na embarcação – 10 foram resgatados e um está desaparecido.

Em resposta à ofensiva, o Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou ter atingido 140 alvos no Irão, a terceira série de ataques na última semana. “Entre os alvos estavam instalações iranianas de mísseis e drones, capacidades navais, áreas de armazenamento de munições, redes de comunicação e postos de vigilância costeira”, informou.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que “o Irão tomou uma má decisão” e “vai pagar” o preço.

Na sequência do incidente, o Irão anunciou que “o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até novo aviso e até ao fim das intervenções americanas nesta região”. “Nenhum navio terá permissão para atravessá-lo”, afirmou a Guarda Revolucionária, ao anunciar outro ataque contra “um segundo navio que violou as normas” na passagem marítima.

O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou no sábado que a “vingança é inevitável”, após o funeral do seu pai e antecessor, Ali Khamenei, morto nos ataques de 28 de Fevereiro. Trump acusou Teerão de planear o seu assassinato e prometeu mais uma vez aniquilar o Irão caso o país tente executar o plano.

 

JTM com agências internacionais