Após um fim-de-semana de mensagens contraditórias, o Irão advertiu ontem que, apesar dos avanços registados, ainda não está próximo de um acordo com Washington para acabar com a guerra no Médio Oriente, devido às “mudanças frequentes” nas posições das autoridades norte-americanas.

“É verdade que chegámos a conclusões sobre muitas questões em discussão, mas isso não significa que a assinatura de um acordo esteja iminente”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Bagaei, numa conferência de imprensa.

O porta-voz reiterou ainda que as negociações estão focadas no fim da guerra e não no programa nuclear iraniano, uma questão que, segundo Bagaei, será discutida no prazo de 60 dias após o memorando de entendimento que está a ser negociado por ambas as partes.

Estas declarações surgem depois de o secretário de Estado norte-americano ter afirmado que um acordo para pôr fim à guerra com o Irão poderia concretizar-se esta segunda-feira. “Pensávamos que poderíamos ter notícias ontem à noite [domingo] ou talvez hoje”, declarou Marco Rubio em Nova Deli, referindo-se ao potencial acordo de paz com o Irão.

Meios de comunicação iranianos e americanos divulgaram detalhes sobre o possível memorando entre Teerão e Washington que incluiria o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano; a suspensão parcial das sanções impostas a Teerão durante os 60 dias em que se discutiria o programa nuclear iraniano; e medidas para facilitar novamente a navegação no Estreito de Ormuz.

Bagaei afirmou ainda que o Irão irá estabelecer um mecanismo com o Omã para “garantir o trânsito seguro” através do estreito, prestando “serviços de navegação” e implementando medidas para proteger o ambiente do Estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã. O porta-voz iraniano confirmou que estes serviços serão pagos, mas recusou chamar-lhes portagens.

“O Irão não pretende cobrar portagens”, afirmou Bagaei, insistindo que se trata de custos associados aos serviços de navegação e à protecção ambiental na região.

Por sua vez, a China apelou para que “a porta do diálogo” no Médio Oriente não volte a fechar-se e defendeu uma solução negociada que tenha em conta “as preocupações de todas as partes”. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Mao Ning afirmou que “a procura de uma solução através de negociações foi bem acolhida pelos países da região e pela comunidade internacional”.

 

Xi enaltece mediação paquistanesa

Entretanto, o Presidente chinês, Xi Jinping, reuniu-se em Pequim com o Primeiro-Ministro paquistanês, tendo apelado a Shehbaz Sharif para manter uma “comunicação e coordenação estreitas” para “promover um mundo multipolar igualitário e ordenado”.

“A China aprecia a assunção activa de responsabilidades por parte do Paquistão e o seu papel como mediador na restauração da paz no Médio Oriente”, disse Xi, acrescentando que ambos os lados devem coordenar-se para se oporem ao unilateralismo e à mentalidade da Guerra Fria, segundo um comunicado do MNE da China.

O líder chinês disse a Sharif que ambos os países devem procurar uma cooperação de segurança mais ampla e de nível superior e salvaguardar conjuntamente a paz e a estabilidade regionais.

Sharif agradeceu o apoio da China aos esforços de mediação e disse que as quatro propostas de Xi sobre a situação no Médio Oriente são “um guia para alcançar a paz”. O plano proposto por Xi em meados de Abril defende o respeito pela soberania nacional, a coexistência pacífica, o direito internacional e a coordenação entre o desenvolvimento e a segurança na região.

 

JTM com agências internacionais