Depois de ter recebido uma carta de Carlos Marreiros negando qualquer plágio, o Instituto Cultural decidiu avançar com o projecto apresentado pelo atelier do arquitecto para a nova Biblioteca Central. Para o organismo, o projecto da Biblioteca inspirou-se na obra do arquitecto Le Corbusier, tal como o Auditório Cidade de Léon

 

Viviana Chan

 

O Instituto Cultural (IC) aceitou a explicação de Carlos Marreiros sobre o processo da concepção do projecto que venceu o concurso público da futura Biblioteca Central. A decisão foi divulgada na noite de sábado, depois de Marreiros ter enviado uma carta na quinta-feira à tarde.

Segundo o IC, os membros do júri “consideram que a arquitectura contemporânea é muito influenciada por mestres da arquitectura de século XX Le Corbusier e Ludwig Mies van der Rohe, cujas formas arquitectónicas serviram de exemplo aos arquitectos”.

“Tanto o Auditório Cidade de Léon como a Biblioteca Central têm a mesma matriz de formas arquitectónicas de Le Corbusier, do seu estilo de fachadas”, salientou o organismo. Além disso, o IC frisou que “as linhas da fachada da Nova Biblioteca Central e o prédio em si, em termos da função, são diferentes do Auditório de León”, em Espanha.

O projecto de Carlos Marreiros venceu o concurso devido ao seu “conceito global de design, incluindo a estrutura, integração da parte antiga e nova, estratégia de preservação de património, entre outros”.

A nota refere ainda que, depois de ter sido ponderada a opinião do júri do concurso público e a explicação do arquitecto, “até ao momento, não há qualquer informação que dê como comprovada a violação das exigências da concessão”. Nesse sentido, o IC vai avançar com o projecto e tentar que a Biblioteca entre em funcionamento no calendário previsto.

De acordo com o “Ou Mun Tin Toi”, a vice-presidente do IC foi questionada sobre a presença de um júri convidado em representação da opinião pública na avaliação das propostas, tendo Leong Wai Man respondido que como o projecto é de grande dimensão e envolve conhecimentos profissionais, tais como a preservação de património, o grupo escolhido integrou profissionais das áreas da arquitectura e bibliotecária. A responsável disse ainda ser “positivo ter diferentes opiniões sobre este projecto”, pois significa que “as pessoas estão atentas às instalações culturais”. De qualquer modo, assegurou que o concurso foi realizado de forma transparente, justa e aberta.

As acusações de plágio surgiram nas redes sociais na semana passada, apontando para muitas semelhanças com o Auditório Cidade de Léon.

O Governo vai pagar 18,68 milhões de patacas pelo projecto vencedor do concurso cujo período de concepção atinge 268 dias.