Especialistas alertaram ontem que a integração de Inteligência Artificial (IA) e da análise de dados na indústria do jogo “acarreta ameaças” para a segurança do sector.
Num seminário da G2E Asia, maior expo da indústria do jogo na Ásia, Jamie Dorbian, director geral internacional da empresa de materiais de jogo LNW Gaming Asia, avisou que “são necessários quadros regulatórios adequados em todas as indústrias”, e que, sem essas restrições, “a IA poderá contornar os mecanismos de seguranças”.
Apesar dos riscos, sublinhou que os novos desenvolvimentos tecnológicos permitem uma maior “integração entre sistemas”, uma tomada de decisão “mais rápida e inteligente”, e colocam a “informação literalmente na ponta dos dedos do utilizador”.
O painel abordou o uso de novas tecnologias na indústria do jogo, no segundo dia da G2E Asia, que decorre no Venetian Macau.
Shaun McCamley, fundador e presidente da GameWorkz, apontou para a crescente dependência de dispositivos móveis para a interacção com os utilizadores e o fosso entre a tecnologia disponível e a capacidade humana de lidar com ela. “Se não soubermos como usar a tecnologia, onde é que isso nos vai levar”, questionou.
McCamley traçou também um contraste entre as capacidades tecnológicas internacionais, considerando que os EUA têm gerido os desenvolvimentos tecnológicos “de forma mais eficaz durante anos”, enquanto o Sudeste Asiático e a Europa “ainda não chegaram lá”.
Dorbian alertou que o excesso de dependência da tecnologia prejudica directamente o “toque pessoal” essencial nos ambientes físicos dos casinos.
Para o especialista, embora os jogadores online possam preferir interfaces totalmente digitais, os espaços físicos correm o risco de afastar um segmento significativo de clientes que “procuram uma interacção humana genuína com ‘dealers’, empregados de mesa e funcionários de sala”.
Desse modo, avisou que a procura da eficiência tecnológica “poderá destruir involuntariamente a própria atmosfera” que distingue o jogo presencial das plataformas online. “O equilíbrio errado degradaria a experiência do cliente, independentemente de quão sofisticada seja a tecnologia. Um estabelecimento de três estrelas pode priorizar a eficiência através da automação, enquanto um hotel de cinco estrelas faria bem em preservar o elemento humano como uma vantagem competitiva”, acrescentou.
JTM com Lusa



