Os principais responsáveis de empresas tecnológicas como Nvidia, Intel, Qualcomm e SK Hynix reúnem-se esta semana em Taiwan para a “Computex”, num momento de intensa competição global pelo desenvolvimento da inteligência artificial (IA).
A “Computex”, uma das mais importantes feiras tecnológicas do mundo, arrancou oficialmente ontem em Taipé e decorre até sexta-feira, reunindo líderes da indústria num momento marcado pela corrida à inteligência artificial e pelas limitações na oferta de componentes críticos.
O destaque da edição deste ano foi a intervenção do director executivo da Nvidia, Jensen Huang, que antecipou a abertura do certame para anunciar a nova sede da empresa em Taiwan e reuniu-se com parceiros locais, incluindo a TSMC, principal fabricante mundial de semicondutores avançados para IA. Durante uma apresentação de duas horas, Huang revelou várias novidades da empresa, entre elas o RTX Spark, um ‘superchip’ com o qual a Nvidia pretende entrar no mercado de processadores para computadores pessoais, actualmente dominado por empresas como Intel, Qualcomm, AMD e Apple.
Outro dos temas centrais da feira tem sido o chamado “agente IA”, uma nova geração de sistemas de inteligência artificial capazes não apenas de gerar respostas, mas também de tomar decisões e executar tarefas de forma autónoma.
O presidente executivo da Qualcomm, Cristiano Amon, previu que 2026 será “o ano dos agentes”, acrescentando que esta tecnologia deverá expandir-se a praticamente todos os dispositivos electrónicos. “É agora que a IA está verdadeiramente a evoluir e vai atingir uma escala incrível”, afirmou Amon num evento realizado antes da abertura da “Computex”.
Também o director executivo da britânica Arm Holdings, Rene Haas, considerou que este tipo de inteligência artificial está a impulsionar a procura por unidades centrais de processamento (CPU) a um ritmo sem precedentes.
A presença de alguns dos nomes mais influentes da indústria serviu igualmente para reforçar a importância de Taiwan na cadeia global de fornecimento tecnológico. A maioria dos semicondutores avançados utilizados em aplicações de inteligência artificial é produzida na ilha, que também concentra uma parte significativa da produção mundial de servidores para centros de dados.
Recentemente, Jensen Huang anunciou que a Nvidia irá aumentar o investimento anual em Taiwan para 150 mil milhões de dólares (quase 129, enquanto a AMD revelou planos para investir mais de 10 mil milhões de dólares no ecossistema taiwanês de semicondutores.
Neste contexto, o líder taiwanês, William Lai, afirmou ontem que o mundo necessita de “Taiwan estável, fiável e capaz de assumir responsabilidades” para sustentar o desenvolvimento da inteligência artificial, numa referência indirecta às tensões com a China, que reclama soberania sobre a ilha.
Intel fecha acordo com Foxconn para desenvolver sistemas de IA
A Intel fechou um acordo de colaboração com a tecnológica taiwanesa Hon Hai, conhecida mundialmente como Foxconn, para desenvolver estruturas de IA, equipadas com processadores da empresa norte-americana.
“Este é um marco emocionante para a nossa parceria contínua com a Foxconn”, afirmou o presidente executivo (CEO) da Intel, Lip-Bu Tan, durante a inauguração da “Computex”.
No âmbito desta colaboração, a Intel e a Foxconn irão concentrar-se em “explorar o desenvolvimento, a integração e a comercialização de uma solução de infra-estrutura de IA numa escala de ‘rack’ diferente, tirando partido de arquitecturas complementares para responder aos diversos requisitos das cargas de trabalho de IA”, afirmou o empresário no evento.
Os sistemas ‘racks’ combinam processadores Intel Xeon com unidades de fluxo de dados reconfiguráveis (RDU) SambaNova SN-50 e, em conjunto, foram concebidos para oferecer inferência de IA de alto desempenho “com maior eficiência energética e de custos”, de acordo com um comunicado da empresa norte-americana.
Os ‘racks’ são estruturas físicas que alojam os computadores especializados utilizados para treinar e executar modelos de IA.
JTM com Lusa



