Os líderes do G7 celebraram ontem o acordo preliminar entre EUA e Irão para acabar com a guerra e concordaram em aumentar a pressão sobre a Rússia, antes de uma sessão incomum com executivos do sector da inteligência artificial.
O memorando para encerrar a guerra no Médio Oriente e os esforços para pressionar a Rússia a alcançar a paz com a Ucrânia figuravam, até à hora do fecho desta edição, como os temas mais importantes da cimeira de três dias, na cidade francesa de Évian, dos líderes da Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido.
O acordo, alcançado “sob a firme liderança do presidente Trump, oferece uma oportunidade histórica para impedir que o Irão adquira qualquer arma nuclear e enfrentar as ameaças relacionadas às suas actividades regionais e balísticas”, afirma uma declaração conjunta do G7 divulgada durante a madrugada. Uma força multinacional liderada pela França e pelo Reino Unido “pode desempenhar um papel importante para facilitar a retoma do tráfego marítimo” no Estreito de Ormuz, onde a navegação foi severamente afectada pelo conflito, acrescenta.
O acordo, cuja assinatura está prevista para amanhã na Suíça, pode “realmente mudar as coisas” no Médio Oriente, mas também noutros temas como a Ucrânia, avaliou o Primeiro-Ministro canadiano, Mark Carney, destacando a mudança de tom de Washington.
Trump, que sempre recusou apontar um culpado neste conflito, adoptou uma postura mais hostil em relação a Moscovo ao afirmar que a Rússia deveria “alcançar um acordo” com Kiev. Também insinuou que Washington poderia voltar a impor as sanções suspensas.
Além de aumentar o fornecimento de defesa aérea à Ucrânia, após mais de quatro anos de guerra, os líderes do G7 concordaram em “intensificar a pressão sobre a economia de guerra russa”, reforçando as sanções, inclusive nos sectores de petróleo e gás. “Consideramos que este é o momento adequado para avançar com medidas adicionais”, agora que o Estreito de Ormuz, por onde passa quase 20% da produção de petróleo, está a ser reaberto após o acordo com o Irão, acrescenta a declaração.
O apoio de todos os países do G7 a Kiev deverá permitir à Ucrânia fabricar armas sob licença, particularmente mísseis Patriot dos EUA para defesa aérea e ataques de longo alcance contra a Rússia, segundo uma fonte da presidência francesa citada pela agência EFE. “Colocámos Trump na perspectiva histórica correcta”, declarou.
A título de exemplo, indicou que os ucranianos poderão produzir mísseis do grupo norte-americano Lockheed Martin, mas também do conglomerado franco-britânico MBDA. Referiu ainda o facto de a Ucrânia sofrer, em média, dois ataques por mês com mísseis russos de longo alcance e de serem necessários dezenas de mísseis Patriot para os neutralizar.
Os mísseis antibalísticos que a Ucrânia pretende adquirir em grandes quantidades para se defender destes ataques russos são fabricados exclusivamente pelos EUA. Até agora, Kiev recebeu mísseis PAC-3 para os sistemas de defesa aérea Patriot, comprados aos EUA, mas com dinheiro dos seus aliados, sobretudo europeus.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sibiga, saudou a “mudança positiva de tom e avaliações” em relação ao seu país na declaração conjunta do G7. “O G7 demonstra mais uma vez que as democracias mais fortes do mundo estão unidas com a Ucrânia e empenhadas em restaurar uma paz abrangente, justa e duradoura para a Ucrânia”, acrescentou.
“Enquanto a Rússia não demonstrar vontade de se envolver numa diplomacia de boa vontade, toda a influência disponível deve ser utilizada para finalmente levar a Rússia à mesa das negociações”, acentuou Sibiga.
Noutra declaração, os líderes do G7, juntamente com os seus pares do Brasil e da Coreia do Sul, assumiram o compromisso de lançar até Novembro “uma rede portuária” para combater o narcotráfico e reforçar a cooperação entre os seus principais portos marítimos.
JTM com agências internacionais



