O Fundo Monetário Internacional (FMI) defende que Macau deve fazer projecções a longo prazo para poder melhor alocar os recursos financeiros, em particular no que diz respeito às futuras obrigações com a segurança social. “Apesar de não ser uma preocupação urgente, as autoridades devem estabelecer projecções a longo prazo para melhor compreender a quantidade de recursos fiscais contabilizados, em particular, no que diz respeito às futuras obrigações com pensões”, defende o FMI, no relatório ontem divulgado. Traçar projecções orçamentais, a longo prazo, que levem em conta os gastos futuros com as pensões é uma das recomendações da instituição, segundo a qual, “apesar das atuais grandes “almofadas” financeiras, a pressão de longo prazo da despesa para com as pensões necessita de um quadro orçamental a médio prazo”. Apesar das reservas de que dispõe, “é importante que Macau tenha um quadro orçamental a médio prazo para garantir sustentabilidade a longo prazo e equidade geracional”, defende o FMI. Isto porque existe uma pressão sobre a despesa a longo prazo derivada de um rápido processo de envelhecimento da população, face à projecção de um crescimento do rácio dos reformados na população activa de 11% em 2015, para 45% em 2050, um ritmo mais célere do que o das economias mais avançadas, aponta o FMI. “À luz dos atuais pressupostos, tal vai aumentar os gastos com pensões de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para aproximadamente 6,5% em 2050. À falta de uma reforma paramétrica do sistema de pensões, a recente injecção de capital do Governo (37 mil milhões de patacas ou cerca de 10% do PIB de 2016) não será adequada para cobrir as obrigações a longo prazo, exigindo recursos adicionais de outras fontes do Governo (como a reserva fiscal)”, lê-se no documento.