O Presidente norte-americano anunciou ontem que os seus representantes estão a caminho do Paquistão para negociar com o Irão esta segunda-feira. “Estamos a oferecer um acordo muito justo e razoável, e espero que o aceitem porque, se não o fizerem, os EUA vão destruir todas as centrais eléctricas e todas as pontes do Irão. Chega de ser bonzinho!”, escreveu Donald Trump na sua rede social “Truth”.
“Vão ceder rapidamente, cederão facilmente e, se não aceitarem o acordo, será uma honra para mim fazer o que tem de ser feito, o que deveria ter sido feito com o Irão por outros presidentes nos últimos 47 anos. É tempo de acabar com a máquina de matar do Irão!”, acrescentou, sem adiantar quem chefiará a delegação norte-americana, depois da anterior ter sido liderada pelo Vice-Presidente JD Vance.
Trump apontou ainda o dedo ao Irão por ter aberto fogo no sábado “contra um navio francês e um cargueiro britânico” no estreito de Ormuz, naquilo que descreveu como “uma violação completa do nosso cessar-fogo”.
Até à hora do fecho desta edição, Teerão ainda não tinha confirmado a realização da nova ronda de negociações. No entanto, segundo as agências internacionais, as autoridades de Islamabad impuseram este domingo um bloqueio de segurança na capital paquistanesa, encerrando as principais vias, suspendendo os transportes públicos e ordenando a evacuação dos principais hotéis de luxo em antecipação do possível encontro entre o Irão e os EUA.
O Paquistão, que serviu de mediador na histórica primeira ronda de negociações de 11 de Abril, não anunciou oficialmente as datas para o novo encontro, mas a polícia justificou o reforço da segurança com a “chegada de delegações estrangeiras”.
Na noite de sábado, numa entrevista à televisão estatal, o principal negociador do Irão e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, reconheceu que houve “progressos” com Washington, embora tenha avisado que um acordo de paz definitivo ainda está “longe de ser alcançado”. “Registámos avanços nas negociações, mas permanecem numerosas divergências e certos pontos fundamentais ainda estão pendentes”, acrescentou.
Washington e Teerão continuam num impasse sobre o encerramento do Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano, principais pontos de discórdia que impediram um acordo na primeira ronda de negociações realizada há uma semana.
O estratégico Estreito de Ormuz permaneceu fechado ontem, como retaliação ao bloqueio dos EUA aos portos iranianos, a apenas três dias do fim da trégua estabelecida entre os dois países. No sábado, poucas horas após a reabertura, o Irão anunciou a retoma do “controlo rigoroso” de Ormuz, por onde, antes da guerra, transitavam 20% do fluxo global de hidrocarbonetos. Pouco depois do anúncio, pelo menos três navios comerciais que tentavam atravessar o estreito foram alvo de disparos.
JTM com agências internacionais



