Os EUA negaram ontem que um dos seus navios de guerra tenha sido atingido por dois mísseis, após os meios de comunicação iranianos anunciarem o ataque iraniano a uma fragata norte-americana. “Nenhum navio da Marinha dos EUA foi atingido. As forças norte-americanas estão a apoiar o Projeto Liberdade e a fazer cumprir o bloqueio naval aos portos iranianos”, afirmou o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), responsável pelas operações militares norte-americanas no Médio Oriente, na rede social X.
A agência de notícias iraniana Fars indicou que o Irão disparou dois mísseis contra uma fragata da Marinha norte-americana que se aproximava do estreito de Ormuz, encerrado à navegação desde o início da guerra, em 28 de Fevereiro. “A fragata, que navegava hoje no estreito de Ormuz, em violação das normas de navegação e segurança marítima perto do porto de Jask, foi alvo de um ataque com mísseis depois de ignorar um aviso da Marinha iraniana”, referiu a Fars, sem citar as suas fontes.
Já depois do desmentido do CENTCOM, o exército iraniano afirmou que disparou tiros de aviso com mísseis contra contratorpedeiros norte-americanos que tentavam aproximar-se do Estreito de Ormuz.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou no domingo que os EUA “guiariam em segurança” os navios de países terceiros que estivessem retidos no estreito estratégico, por onde, antes da guerra, passava um quinto dos hidrocarbonetos do mundo.
O responsável pelo Comando Central do Khatam al-Anbiya – o comando unificado de combate das Forças Armadas iranianas -, Ali Abdullah, avisou, por sua vez, que “qualquer força armada estrangeira” seria atacada se “tentasse aproximar-se e entrar no estreito de Ormuz”. “Aqueles que apoiam os EUA devem ter cuidado e não fazer nada que possa levar a um arrependimento irreparável, porque as acções agressivas dos EUA para perturbar a situação actual só vão complicar as coisas e pôr em risco a segurança dos navios nesta área”, advertiu.
As autoridades iranianas anunciaram a 17 de Abril o fim das restrições de trânsito na região, após a confirmação de um cessar-fogo temporário no Líbano no dia anterior. No entanto, afirmaram que as reimporiam depois de Trump, em resposta aos elogios à iniciativa de Teerão, ter declarado que as forças norte-americanas manteriam o bloqueio da via navegável.
Trump anunciou posteriormente a prorrogação do cessar-fogo temporário alcançado em 8 de Abril, atendendo a um pedido do Paquistão, que está a mediar o processo diplomático, embora tenha insistido na manutenção do bloqueio. O bloqueio e a recente incursão e apreensão de embarcações iranianas na região estão entre os motivos alegados por Teerão para não participar nas negociações em Islamabad, uma vez que considera estas acções uma violação do cessar-fogo que impede o processo de diálogo.
JTM com Lusa e agências internacionais



