EUA e Irão alcançaram ontem um acordo para estabelecer o fim imediato da guerra no Médio Oriente, incluindo o conflito no Líbano, e pretendem assinar o texto na sexta-feira, em Genebra. Ainda assim, permanecem desafios significativos, incluindo saber se Israel vai continuar a sua ofensiva no Líbano.
O teor do pacto não foi divulgado, mas Teerão indicou que as negociações devem começar, no máximo, no prazo de 60 dias, com o objectivo de alcançar um acordo definitivo em questões delicadas como o programa nuclear ou as sanções contra a sua economia.
O compromisso foi anunciado pelo Primeiro-Ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do conflito, que saudou um “passo histórico em direcção à paz”. Posteriormente, Washington e Teerão confirmaram a informação.
“O acordo com a República Islâmica do Irão já está concluído. Parabéns a todos!”, escreveu Trump na sua plataforma “Truth Social”. “Autorizo plenamente a abertura sem cobrança de portagens do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a suspensão imediata do bloqueio naval dos EUA. Navios do mundo, liguem os seus motores. Que o petróleo flua!”, completou.
Segundo o vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, o acordo com Washington põe “fim imediato à guerra”.
Após o anúncio, os preços do petróleo caíram e tanto o Brent como o WTI passaram a ser negociados ao redor de 80 dólares por barril.
O fecho de Ormuz teve grande impacto na economia mundial, provocando inflação em vários países e problemas de abastecimento de fertilizantes necessários para a produção de alimentos, entre outros.
Segundo a agência iraniana Fars, os EUA teriam concordado com “o pagamento de portagens ao Irão” pela passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. Esta medida tem a oposição de muitos países, como a França, anfitriã esta semana da cimeira do G7 que terá a presença de Trump.
No entanto, as duas partes publicaram informações contraditórias sobre o conteúdo do acordo. Trump afirmou ao jornal “The New York Times” que o Irão aceitou uma moratória de 20 anos sobre o enriquecimento de urânio. Já Gharibabadi declarou que as próximas conversações abordarão o fim das sanções contra o Irão, a questão nuclear, a reconstrução e o desenvolvimento económico do seu país e a implementação de um mecanismo de supervisão dos acordos alcançados.
Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Canadá já se mostraram dispostos a suspender algumas sanções contra o Irão.
Críticas em Israel
O Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não reagiu oficialmente, mas vários ministros do seu governo e membros da oposição condenaram o acordo. “Não garante a nossa segurança”, declarou o ministro da Segurança Nacional, o político de extrema-direita Itamar Ben Gvir, enquanto o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, principal rival de Netanyahu nas próximas eleições, disse que o pacto representa uma “mudança perigosa para a segurança de Israel”.
O ministro da Defesa, Israel Katz, disse que o Exército “permanecerá nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza por um período ilimitado”.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, reiterou a “necessidade da cessação total da agressão” de Israel contra o Líbano, em conversações com os seus homólogos do Iraque, Egipto, Turquia e Arábia Saudita. Teerão tem insistido repetidamente que qualquer acordo com os EUA deve incluir o fim das hostilidades israelitas no Líbano e, em particular, contra o partido político e a milícia Hezbollah.
O acordo foi recebido com alívio pela comunidade internacional, embora nalguns casos com optimismo cauteloso. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esperar que as partes aproveitem este novo impulso e redobrem os esforços em direcção a uma resolução final do conflito”.
A Liga Árabe, o Conselho de Cooperação do Golfo e países importantes como a Arábia Saudita e o Kuwait também saudaram o acordo de paz preliminar. Porém, o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboulgheit, alertou para os esforços contínuos de Israel para “minar o acordo” e manter um “estado de guerra permanente”.
Em Pequim, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, manifestou a esperança de que o Estreito de Ormuz possa voltar a ser navegável de forma segura e livre “o mais rapidamente possível”. Elogiou também os esforços de mediação do Paquistão, reiterando que a China está disposta a trabalhar com a comunidade internacional para restaurar a paz e a estabilidade na região.
“A China congratula-se com o facto de os EUA e o Irão terem chegado a um consenso sobre o conteúdo do Memorando de Entendimento da Fase Um e (…) espera que as partes envolvidas mantenham o seu compromisso com o caminho pacífico e resolvam as suas diferenças através do diálogo e da negociação”, disse Lin.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que “a liberdade de navegação sem restrições deve ser restaurada”. “Isto é essencial para a estabilidade regional e para a economia global. Abre caminho para negociações mais amplas sobre a paz e a segurança no Médio Oriente”, declarou.
Além da China, outros países asiáticos, como a Índia e o Japão, também apelaram ao restabelecimento da navegação segura para o comércio internacional através do Estreito de Ormuz.
Bolsas asiáticas fecharam em alta
As principais bolsas asiáticas fecharam esta segunda-feira com ganhos generalizados graças ao optimismo dos investidores após o anúncio de um acordo entre os Estados Unidos e o Irão para pôr fim à guerra e reabrir o Estreito de Ormuz. As bolsas de Seul, Tóquio e Manila lideraram os ganhos, ao registarem um crescimento na ordem dos 5%. Na China Continental, o Índice Composto de Xangai ganhou 1,61%, enquanto a Bolsa de Shenzhen subiu 3,79%. Entretanto, o Índice Hang Seng da Bolsa de Hong Kong fechou a subir 0,5%, e o Índice Hang Seng China Enterprises, que acompanha as empresas da China Continental cotadas em Hong Kong, cresceu 0,02%.
JTM com agências internacionais



