Arqueólogos iniciaram uma escavação destinada a recuperar os restos mortais de soldados japoneses da Segunda Guerra Mundial no sul de Taiwan. O local está ligado ao naufrágio de um navio de transporte militar e de outras embarcações no canal de Bashi, depois de terem sido atacados pelas forças norte-americanas em 1944.
De acordo com a historiadora Kazuko Tachi, que é também uma activista envolvida nos esforços de recuperação, mais de 4.700 soldados e tripulantes morreram, enquanto 65 sobreviveram.
Taiwan foi uma colónia japonesa desde 1895 até ao final da guerra.
“Acredita-se que muitos corpos do navio afundado chegaram a esta costa”, indicou Tatsuaki Inoue, representante da Associação Japonesa para a Recuperação e Repatriamento de Vítimas de Guerra.
A escavação no município de Hengchun deverá continuar durante uma semana. Se forem encontrados restos mortais que se acredita serem de soldados japoneses e for possível extrair amostras de ADN, serão enviados para o Japão numa missão futura.
O Japão promulgou uma lei em 2016 para acelerar a recuperação de restos mortais de soldados da guerra, um esforço que foi prolongado até 2030 e inclui testes de ADN mais abrangentes.
Milhares de pessoas continuam desaparecidas após a Segunda Guerra Mundial. Os registos oficiais japoneses indicam que cerca de 41.900 soldados que combateram pelo Japão morreram em Taiwan.
Cerca de 26.300 corpos foram recuperados e 15.600 permanecem desaparecidos. A última escavação em Taiwan ocorreu em 1975, quando foram encontrados 242 corpos.
Historiadores, residentes e voluntários japoneses residentes em Taiwan passaram anos a realizar entrevistas e a recolher registos históricos para determinar o que pode ter acontecido aos corpos encontrados nas praias.
Acreditam que os corpos podem ter sido recolhidos pelos moradores e depositados juntos numa zona costeira rochosa perto do ponto de descarga da Terceira Central Nuclear de Taiwan, onde podem ainda estar.
Mais de 2,4 milhões de soldados japoneses morreram no estrangeiro durante a Segunda Guerra Mundial. Os restos mortais de aproximadamente 1 milhão ainda não foram recuperados.
“Para as famílias enlutadas que não receberam os restos mortais dos seus entes queridos, a incerteza sobre onde e como os seus familiares morreram – e a sensação de não lhes terem podido proporcionar um funeral adequado – é provavelmente uma das principais razões pelas quais a recuperação dos restos mortais continua mesmo 80 anos depois”, vincou Akira Nishimura, professor de estudos religiosos na Universidade de Tóquio, citado pela agência Associated Press.
Acrescentou que as organizações religiosas e os voluntários desempenharam um papel fundamental na recuperação dos restos mortais e na realização de cerimónias memoriais, oferecendo conforto às famílias enlutadas e ajudando a preservar a memória daqueles que nunca regressaram.
Em Pingtung, onde começou a escavação, dois locais prestaram homenagem aos mortos de guerra do Japão.
Um monumento dedicado aos espíritos dos militares japoneses que faleceram encontra-se junto ao Templo Chaoyin, com a inscrição: “Rezamos pela paz de toda a humanidade no mundo”.
JTM com Lusa



