epa11197881 Chairman of the Chinese People's Political Consultative Conference Wang Huning (front) delivers his speech during the opening ceremony of the second session of the 14th Chinese People's Political Consultative Conference (CPPCC) National Committee at the Great Hall of the People in Beijing, China, 04 March 2024. China's major annual political meetings, known as 'Lianghui' or 'Two Sessions,' begin on 04 March with the opening of the Chinese People's Political Consultative Conference (CPPCC) while the National People's Congress (NPC) will open on 05 March.  EPA/WU HAO
epa11197881 Chairman of the Chinese People's Political Consultative Conference Wang Huning (front) delivers his speech during the opening ceremony of the second session of the 14th Chinese People's Political Consultative Conference (CPPCC) National Committee at the Great Hall of the People in Beijing, China, 04 March 2024. China's major annual political meetings, known as 'Lianghui' or 'Two Sessions,' begin on 04 March with the opening of the Chinese People's Political Consultative Conference (CPPCC) while the National People's Congress (NPC) will open on 05 March. EPA/WU HAO

As autoridades chinesas “confiam plenamente” nas perspectivas de crescimento a longo prazo da segunda maior economia mundial, garantiu ontem Lou Qinjian, porta-voz da 14ª Assembleia Nacional Popular (ANP), cuja sessão anual começa hoje em Pequim. A grande reunião política anual do país, conhecida como “Duas Sessões”, arrancou ontem, com a inauguração dos trabalhos da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), que contou com a presença do Presidente Xi Jinping.

Até 11 de Março, os cerca de três mil delegados da ANP vão aprovar novas leis, nomeações políticas e relatórios de trabalho do governo que detalham o progresso de vários departamentos e ministérios. O orçamento para a Defesa ou a meta de crescimento económico são, habitualmente, anunciados no primeiro dia.

A economia deverá concentrar boa parte dos debates, numa altura em que a recuperação do país enfrenta alguns problemas, como a crise imobiliária, o desemprego entre os jovens e a estagnação do consumo. No final de 2023, a taxa de desemprego entre os jovens atingia 15%, segundo dados oficiais.

Provavelmente não serão anunciadas grandes medidas sobre a retoma económica, embora os analistas considerem que são necessárias. A economia chinesa registou no ano passado um dos menores crescimentos das últimas décadas (5,2%).

Uma sondagem de analistas, realizada pelo portal de notícias económicas Yicai indicou que o Primeiro-Ministro, Li Qiang, deverá fixar a meta de crescimento económico para este ano em 5%.

“Não espero grandes mudanças políticas, como grandes reformas estruturais importantes que modificariam a trajectória económica”, disse à AFP Lynette Ong, professora da Universidade de Toronto.

A China deve anunciar um novo aumento do orçamento militar, que cresce há várias décadas. No ano passado, Pequim ampliou a definição do que constitui espionagem e ordenou operações de busca em várias empresas estrangeiras de consultadoria, auditoria e investigação.

A política externa poderá ser outro tema abordado, com as atenções voltadas para as eleições presidenciais dos EUA em Novembro. “Não importa quem é o presidente, esperamos que os EUA possam trabalhar na mesma direcção que a China para uma relação estável, saudável e duradoura” entre os dois países, disse o porta-voz Lou Qinjian.

 

Planeamento familiar

No plano nacional, a política de planeamento familiar também deverá merecer especial atenção. Segundo dados oficiais, em 2023, a população chinesa diminuiu em dois milhões de pessoas. O número marca o segundo ano consecutivo de contracção, depois de a população ter caído 850.000, em 2022, quando se deu o primeiro declínio desde 1961.

A queda e o envelhecimento da população estão a preocupar Pequim, porque privam o país de pessoas em idade activa para manter o ímpeto económico. A crise demográfica, que chegou mais cedo do que o esperado, está já a afectar o sistema de saúde e de pensões, segundo observadores.

Os delegados deverão ainda debater políticas para o sector tecnológico, incluindo a regulação da tecnologia de inteligência artificial, num período de rivalidade com o Ocidente pelo domínio das indústrias do futuro.

 

JTM com agências internacionais