As autoridades chinesas “confiam plenamente” nas perspectivas de crescimento a longo prazo da segunda maior economia mundial, garantiu ontem Lou Qinjian, porta-voz da 14ª Assembleia Nacional Popular (ANP), cuja sessão anual começa hoje em Pequim. A grande reunião política anual do país, conhecida como “Duas Sessões”, arrancou ontem, com a inauguração dos trabalhos da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), que contou com a presença do Presidente Xi Jinping.
Até 11 de Março, os cerca de três mil delegados da ANP vão aprovar novas leis, nomeações políticas e relatórios de trabalho do governo que detalham o progresso de vários departamentos e ministérios. O orçamento para a Defesa ou a meta de crescimento económico são, habitualmente, anunciados no primeiro dia.
A economia deverá concentrar boa parte dos debates, numa altura em que a recuperação do país enfrenta alguns problemas, como a crise imobiliária, o desemprego entre os jovens e a estagnação do consumo. No final de 2023, a taxa de desemprego entre os jovens atingia 15%, segundo dados oficiais.
Provavelmente não serão anunciadas grandes medidas sobre a retoma económica, embora os analistas considerem que são necessárias. A economia chinesa registou no ano passado um dos menores crescimentos das últimas décadas (5,2%).
Uma sondagem de analistas, realizada pelo portal de notícias económicas Yicai indicou que o Primeiro-Ministro, Li Qiang, deverá fixar a meta de crescimento económico para este ano em 5%.
“Não espero grandes mudanças políticas, como grandes reformas estruturais importantes que modificariam a trajectória económica”, disse à AFP Lynette Ong, professora da Universidade de Toronto.
A China deve anunciar um novo aumento do orçamento militar, que cresce há várias décadas. No ano passado, Pequim ampliou a definição do que constitui espionagem e ordenou operações de busca em várias empresas estrangeiras de consultadoria, auditoria e investigação.
A política externa poderá ser outro tema abordado, com as atenções voltadas para as eleições presidenciais dos EUA em Novembro. “Não importa quem é o presidente, esperamos que os EUA possam trabalhar na mesma direcção que a China para uma relação estável, saudável e duradoura” entre os dois países, disse o porta-voz Lou Qinjian.
Planeamento familiar
No plano nacional, a política de planeamento familiar também deverá merecer especial atenção. Segundo dados oficiais, em 2023, a população chinesa diminuiu em dois milhões de pessoas. O número marca o segundo ano consecutivo de contracção, depois de a população ter caído 850.000, em 2022, quando se deu o primeiro declínio desde 1961.
A queda e o envelhecimento da população estão a preocupar Pequim, porque privam o país de pessoas em idade activa para manter o ímpeto económico. A crise demográfica, que chegou mais cedo do que o esperado, está já a afectar o sistema de saúde e de pensões, segundo observadores.
Os delegados deverão ainda debater políticas para o sector tecnológico, incluindo a regulação da tecnologia de inteligência artificial, num período de rivalidade com o Ocidente pelo domínio das indústrias do futuro.
JTM com agências internacionais



