A economia chinesa acelerou no primeiro trimestre, crescendo 5% em termos homólogos, apesar do impacto da guerra no Irão, informou ontem o Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE). Os dados relativos ao período entre Janeiro e Março, que abrange o início do conflito, superaram as expectativas mais divulgadas entre os especialistas (+4,8%) e ficaram acima dos 4,5% registados no trimestre anterior.

Em termos trimestrais, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 1,3%, o que representa um aumento de 0,1 pontos percentuais face à taxa registada entre Outubro e Dezembro e está em linha com as previsões dos analistas.

O GNE salientou que a economia nacional começou bem o ano, demonstrando “maior resiliência e vitalidade” graças à implementação “acelerada” de “políticas macroeconómicas mais proactivas e eficazes” focadas na estabilização do emprego, das operações comerciais, dos mercados e das expectativas. “Como resultado, o crescimento da produção e da oferta acelerou, a procura do mercado continuou a melhorar, o emprego manteve-se geralmente estável, os preços de mercado recuperaram moderadamente e o desenvolvimento de alta qualidade (objectivo declarado de Pequim, em oposição ao modelo anterior de taxas de crescimento elevadas) avançou com um impulso renovado e positivo”, acrescentou.

Porém, como é habitual, o documento alertou para um “ambiente externo cada vez mais complexo e volátil” e um “desequilíbrio ainda agudo” entre a oferta e a procura, factores que fazem com que “as bases do crescimento económico ainda não estejam consolidadas”.

Em 2025, a China atingiu a sua meta oficial de crescimento “na ordem dos 5%”, com o PIB a crescer exactamente nessa proporção. No entanto, para este ano, a meta foi reduzida para “entre 4,5% e 5%”, a mais baixa desde 1991.

Analistas consideram que a China deverá resistir aos impactos de curto prazo da guerra do Irão, mas alertam para riscos a médio prazo, incluindo o abrandamento da procura global por exportações chinesas. O aumento dos preços da energia, impulsionado pelo conflito, está a pressionar a inflação e o crescimento económico global. O Fundo Monetário Internacional reviu esta semana em baixa a previsão de crescimento da China para 4,4% em 2026.

“A China pode provavelmente absorver perturbações de curto prazo, mas uma guerra prolongada e preços elevados da energia durante mais tempo deverão começar a afectar o crescimento na segunda metade do ano”, afirmou Lynn Song, economista-chefe para a Grande China do banco ING.

A prolongada crise no imobiliário continua a afectar a confiança de consumidores e investidores, embora o país tenha alcançado no ano passado um crescimento de 5%, sustentado por exportações robustas que elevaram o excedente comercial para um nível recorde de cerca de 1,2 biliões de dólares, apesar das tarifas impostas pelo Presidente dos EUA, Donald Trump.

“A ausência de uma resolução rápida para a guerra no Irão deverá penalizar o crescimento global, o que afectará negativamente a capacidade de outras economias para absorver exportações chinesas”, afirmou Eswar Prasad, professor da Universidade de Cornell, citado pela agência “Associated Press”.

Na terça-feira, a China divulgou que as exportações cresceram 2,5% em Março, em termos homólogos, desacelerando face aos dois meses anteriores. Segundo Prasad, num contexto em que os países procuram proteger as suas economias dos efeitos do conflito, “a procura por importações chinesas está claramente a diminuir”.

Economistas consideram que a China poderá ainda atingir a sua meta de crescimento deste ano, “entre 4,5% e 5%”, através de estímulos políticos, mas alertam que um aumento do investimento público poderá intensificar pressões deflacionistas e reforçar a dependência das exportações, caso a procura interna não recupere de forma significativa.

 

JTM com Lusa e agências internacionais