A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) de Macau “não encontrou quaisquer irregularidades” durante as suas verificações regulares à situação do grupo de junkets Suncity, agora extinto, disse ontem a chefe da Divisão de Auditoria de Conformidade do organismo, Wong Long Peng, no Tribunal Judicial de Base. No entanto, segundo a “Macau News Agency” (MNA), Wong ressalvou que essa análise baseou-se essencialmente nas informações fornecidas pela Suncity e pelas seis operadoras de jogo.
Ouvida durante mais uma sessão do julgamento do caso que envolve Alvin Chau, ex-líder da Suncity, e mais 20 arguidos, acusados de crimes como exploração de jogo ilícito, envolvimento em associação criminosa, fraudes e branqueamento de capitais, Wong Long Peng disse que a DICJ não detectou “grandes discrepâncias” entre as demonstrações financeiras mensais da Suncity e das seis operadoras de jogo em termos das comissões pagas aos “junkets”. Segundo disse, os documentos não mencionavam apostas paralelas, por telefone ou online.
Lai U Hou, delegado do Ministério Público, declarou que o grupo de junkets terá escondido essas informações antes das inspecções da DICJ, mas Wong assumiu desconhecer essa eventualidade. “Não havia terceiros para verificarmos todas as informações fornecidas [pela Suncity]. Só podíamos rever as informações que nos permitiam ver”, afirmou, segundo a MNA.
A chefe da Divisão de Auditoria de Conformidade ressalvou ainda que as inspecções regulares da DICJ à situação financeira dos promotores de jogo “não são auditorias, mas apenas verificações”. “A nossa equipa tem apenas cerca de quatro ou cinco pessoas para fazer isso, mas havia cerca de 100 a 200 operadores junkets no passado”, realçou, acrescentando que o trabalho é desenvolvido de acordo com a capacidade do organismo.
No que diz respeito às inspecções “in loco”, a DICJ também também teve de agendar previamente reuniões com os funcionários da Suncity, e apenas analisou as informações apresentadas, explicou.
A testemunha indicou ainda que o controlo financeiro da Suncity apenas visava os seus negócios de jogo VIP em Macau, não cobrindo actividades no exterior que estavam fora do âmbito da supervisão da DICJ. Por outro lado, o organismo exigiu que os grandes grupos “junkets”, incluindo a Suncity, criassem um departamento de conformidade para melhorar a supervisão, de acordo com Wong Long Peng.



